EUA e Otan investigam marines em vídeo afegão

Imagens mostram fuzileiros urinando sobre os corpos de três guerrilheiros do Taleban

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2012 | 03h04

O secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, ordenou ontem a abertura de investigação sobre um vídeo no qual quatro marines americanos urinam sobre os corpos de três combatentes do Taleban. Panetta considerou a atitude "completamente deplorável". O grupo de soldados já foi identificado como uma unidade do 2o.º Regimento Marine, cuja base está em Camp Lejeune, na Carolina do Norte. Seus nomes, por enquanto, são mantidos em sigilo.

O vídeo foi divulgado no YouTube justamente no momento em que Washington pretende intensificar negociações de paz com o Taleban. Autoridades da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e das Forças Armadas americanas também reprovaram o comportamento dos soldados, assim como o comando do Taleban e o governo do Afeganistão. "Essa atitude é inteiramente inapropriada para os militares dos EUA e não reflete os princípios e valores que nossas Forças Armadas juraram defender", declarou Panetta, em comunicado. "Os envolvidos nesse tipo de conduta serão responsabilizados."

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que ficou "consternada" com as imagens, que não representam "o padrão de comportamento dos militares americanos". Ela prometeu que o governo punirá os responsáveis.

As imagens mostram os soldados debochando dos cadáveres de rebeldes e urinando sobre eles, o que representa também uma violação das regras da Convenção de Genebra. "Tenha um bom dia, companheiro", diz um deles. O responsável pelas investigações nos EUA será o general John Allen, chefe das forças americanas no Afeganistão

Para tentar aliviar o impacto dessas imagens e pedir desculpas ao Afeganistão, Panetta telefonou para o presidente afegão, Hamid Karzai, para repetir o conteúdo de seu comunicado. Em novembro, a Justiça militar americana considerou culpado o sargento Calvin Gibbs, de 26 anos, que liderou um grupo de soldados que matara civis afegãos "por esporte". Esses foram apenas alguns dos graves incidentes envolvendo soldados americanos nos dez anos da guerra afegã.

O governo do Afeganistão declarou que o vídeo é "profundamente perturbador" e pediu uma punição severa dos envolvidos. "Esse ato dos soldados americanos é simplesmente desumano e condenável nos termos mais fortes", afirmou Cabul, em comunicado.

Taleban. Um dos porta-vozes do Taleban, Zabihullah Mujahid, afirmou à agência Reuters que não é a "primeira vez que os americanos cometem uma atrocidade" no Afeganistão. Mas ele não considerou que o vídeo seja suficiente para a suspensão das negociações de paz. "Sabemos que nosso país está ocupado", disse.

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