EUA e Otan lançam ofensiva anti-Taleban

Tropas americanas, afegãs e da Otan cercam a cidade de Kandahar, reduto dos insurgentes, e esperam expulsá-los da região até dezembro

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 00h00

Uma das maiores operações militares dos últimos meses foi lançada em conjunto ontem por forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), lideradas pelos EUA, e tropas afegãs contra posições do Taleban ao redor da cidade de Kandahar, no Afeganistão. Ao todo, cerca de 8 mil militares estão envolvidos na ação em uma região conhecida por ser reduto do grupo insurgente.

O objetivo da operação, chamada "Golpe do Dragão" é derrotar, até dezembro, o Taleban em três distritos ao sul e a oeste da cidade. Em razão da grande quantidades de bombas em estradas da região, além da resistência da milícia, há elevado risco de baixas, segundo a Otan.

"Esperamos combates difíceis", disse o general Josef Blotz, porta-voz da aliança militar. "A meta será destruir posições do Taleban para que eles não tenham mais onde se esconder."

Durante a noite, explosões foram ouvidas em Kandahar. Os militares dispararam contra árvores e muros para facilitar a visão e evitar que os membros do Taleban se escondessem. O comando da Otan também indicou que um dos problemas será evitar baixas na população civil.

Os habitantes da cidade estão divididos entre os que apoiam o governo afegão e os que defendem o Taleban. O temor é provocar vítimas e, depois de eliminar o Taleban, enfrentar dificuldades para controlar a região.

A operação ao redor de Kandahar estava prevista para ser realizada em junho. O comando militar americano, no entanto, decidiu adiá-la depois de péssimos resultados em outra ação militar em Marja, cidade muito menor. Desta vez, as autoridades militares da Otan acreditam que seus soldados estão preparados para a operação.

De acordo com a estratégia do general David Petraeus, a queda de Kandahar é fundamental para derrotar o Taleban no longo prazo, uma vez que o grupo voltou a crescer militarmente nos últimos anos e recuperou o controle da cidade depois da queda do regime, em 2001.

Atualmente, a milícia extremista, aliada da rede terrorista Al-Qaeda, utiliza o fértil vale do Rio Arghendab para transportar militantes, armas, drogas, dinheiro e mantimentos para o sul do Afeganistão.

Até a noite de ontem, não havia informações a respeito de baixas entre as forças da Otan e afegãs, tampouco entre os insurgentes do Taleban. Desde o início do ano, morreram 354 americanos no Afeganistão. O número já superou o total de mortos do ano passado.

Atualmente, os EUA mantêm 100 mil militares no Afeganistão, depois de o presidente Barack Obama ter determinado o crescimento no contingente, em 2009. A Otan tem outros 50 mil homens. As forças afegãs, diferentemente das do Iraque, ainda não estão bem treinadas e são consideradas incapazes de atuarem sem ajuda de soldados internacionais.

Bombardeio. Em outra operação realizada ontem no Paquistão, em uma região próxima à fronteira com o Afeganistão, helicópteros americanos mataram pelo menos 30 pessoas. Não está claro, porém, se eram militantes ou civis. Em outro bombardeio, mísseis disparados por aviões não tripulados dos EUA mataram sete insurgentes em uma zona tribal paquistanesa. / COM REUTERS E AP

PARA ENTENDER

Conflito afegão põe pressão sobre Obama

O presidente Barack Obama sempre se opôs à guerra no Iraque e, desde a campanha eleitoral, dizia que a segurança dos EUA deveria ser jogada no Afeganistão. Em 2009, Obama anunciou um reforço de 30 mil homens para o front afegão, que seriam enviados o mais rápido possível. O objetivo era tentar estabilizar o conflito no país, enfraquecer o Taleban, derrotar seu aliado, a Al-Qaeda, e começar a retirada das tropas em julho de 2011, antes das próximas eleições presidenciais nos EUA. Com o aumento do contingente, os EUA passaram a ter cerca de 100 mil soldados lutando na guerra no Afeganistão, que já dura quase nove anos. Mesmo assim, o esforço de guerra não vinha dando resultado e muitos analistas criticaram a capacidade de Obama de comandar as tropas americanas. Em meio a um aumento no número de civis mortos, os EUA, que lideram a coalizão internacional no Afeganistão, tentam um golpe importante e simbólico ao expulsar o Taleban de Kandahar.

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