EUA e Paquistão fecham acordo, mas há controvérsias

EUA e Paquistão chegaram nesta quarta-feira a um "acordo completo" sobre um plano para atacar as bases da rede terrorista de Osama bin Laden no Afeganistão, anunciou o porta-voz do governo paquistanês, Rashid Quresh."Não há divergências entre o Paquistão e os EUA sobre a questão da necessidade de combater o terrorismo", disse Qureshi, ressaltando, no entanto, que o Paquistão "não se envolverá em nenhuma ação para atacar o Afeganistão e o povo afegão". Segundo fontes paquistanesas, analistas militares dos dois países determinaram quais seriam os principais alvos de um ataque americano no Afeganistão, e o Paquistão comprometeu-se a reforçar o patrulhamento da fronteira para evitar que Bin Laden ou seus seguidores se infiltrem no país. Entre centenas de possíveis objetivos de um ataque, estão bases aéreas do movimento Taleban, que controla o Afeganistão, em Herat, Mazar, Kunduz e Kandahar; campos de treinamento do Taleban próximos da capital, Cabul; campos de instrução da Al-Qaeda, a organização de Bin Laden, no sul do país; e um laboratório suspeito de estar sendo usado por Bin Laden para produzir armas químicas, também no sul do país. Funcionários paquistaneses, que falaram sob a condição de não ter seus nomes publicados, informaram ainda que se mantêm pelo menos três pontos de controvérsia entre Islamabad e Washington sobre a operação "Liberdade Duradoura".Os pontos são os seguintes: o Paquistão resiste ao plano de Washington de intervir em favor das forças da Aliança do Norte, que combate o Taleban em território afegão; não concorda com a repressão a grupos islâmicos baseados em cidades paquistanesas que apóiam o Taleban; e mantém a reivindicação de que qualquer operação militar contra o Afeganistão seja desfechada sob a chancela da ONU. O governo paquistanês também enfatizou nesta quarta-feira que não há tropas americanas em seu território. Mas pelo menos 1.500 soldados dos EUA já estão de prontidão no Tadjiquistão e Uzbequistão, países vizinhos do Afeganistão, segundo informou nesta quarta o jornal britânico The Guardian.Outros 8 mil homens estão chegando à Ásia Central em quatro porta-aviões despachados de seus portos na Costa Leste americana, do Japão e do Golfo Pérsico.

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