Asif Hassan/AFP
Asif Hassan/AFP

EUA e Paquistão selam acordo para reabrir rotas terrestres

Decisão coloca fim a crise que afetou a relação entre Islamabad e Washington

Reuters,

03 de julho de 2012 | 17h22

ISLAMABAD - O Paquistão e os EUA chegaram nesta terça-feira, 3, a um acordo para reabrir as rotas terrestres usadas pela Otan para abastecer as tropas no Afeganistão, colocando fim à crise de sete meses que afetou a relação bilateral entre os dois países, desde que 24 soldados paquistaneses foram mortos por uma aeronave não tripulada da aliança atlântica, em novembro.

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Em telefonema à chanceler paquistanesa, Hina Rabbani Khar, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, se desculpou pelo ataque. "Nós sentimos muito pelas perdas sofridas pelo Exército paquistanês. Estamos comprometidos a trabalhar com o Paquistão e o Afeganistão para que isso não ocorra novamente", disse Hillary.

Em resposta, Khar disse à secretária de Estado que o Paquistão abriria as rotas de suprimentos e "continuará a não cobrar nenhuma taxa de transporte, em nome do interesse maior da paz e da segurança no Afeganistão e na região", afirmou a secretária norte-americana.

"Essa é uma demonstração tangível do apoio do Paquistão para um Afeganistão seguro, pacífico e próspero e aos nossos objetivos compartilhados na região", disse Hillary, acrescentando que o acordo permitirá que os Estados Unidos e seus parceiros da Otan conduzam a retirada militar planejada do Afeganistão a um preço muito menor.

"O fechamento contínuo das linhas de abastecimento prejudica não apenas a nossa relação com os Estados Unidos, mas também com os outros 49 Estados membros da Otan/Isaf", disse o primeiro-ministro do Paquistão, Raja Pervez Ashraf a autoridades civis e militares, de acordo com um comunicado divulgado pelo gabinete dele.

O incidente na fronteira foi um novo grande golpe aos laços entre Estados Unidos e Paquistão, depois da operação norte-americana que matou o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, em território paquistanês, em um momento crucial na guerra liderada pelos norte-americanos no Afeganistão.

Logo após o anúncio, um fonte do governo americano afirmou que Washington liberaria US$ 1,1 bilhão para Islamabad como parte do acordo que levou ao desbloqueio das rotas.

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