EUA e Reino Unido acusam Mugabe de usar a fome como 'arma'

Governos criticam suspensão da ajuda humanitária exigida pelo Zimbábue; candidato opositor é preso pela 2ª vez

Efe e Associated Press,

06 de junho de 2008 | 13h43

O Reino Unido e os Estados Unidos acusaram nesta sexta-feira, 6, o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, de usar a fome como "arma política" após seu regime decretar que todas as ONGs que operam no país devem interromper suas atividades. A denúncia foi feita no mesmo dia em que o candidato opositor e rival no segundo turno das eleições presidenciais do país, Morgan Tsvangirai, foi detido pela segunda vez na semana e libertado horas depois.   Veja também:   Zimbábue prende rival do presidente pela 2ª vez   O vice-ministro de Informação do Zimbábue, Bright Matonga, disse que o governo estava revisando "algumas ONGs vinculadas a assuntos de política nacional que pretendem se camuflar como organizações que oferecem comida ao povo". "O fato de Robert Mugabe usar a ameaça da fome como arma política demonstra um desprezo cruel pela vida humana" e mostra ao mundo "até onde chegará" o líder zimbabuano "para segurar o poder", declarou o ministro britânico de Cooperação Internacional, Douglas Alexander.   Na opinião do britânico, esta decisão "intolerável" de Mugabe parece fazer parte de "uma estratégia" para o segundo turno das eleições presidenciais, no dia 27 de junho. Para o embaixador americano James McGee, Mugabe usa a ajuda alimentar como arma para conseguir votos. "Estamos lidando com um regime desesperado que fará qualquer coisa para permanecer no poder".   O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, foi detido novamente pela polícia em uma batida quando se dirigia para um ato eleitoral durante sua campanha para as eleições presidenciais do dia 27. Tsvangirai foi levado para a delegacia de uma localidade ao sudeste de Bulawayo, capital da província de Matabeleland Sul, onde foi interrogado durante cerca de duas horas, disse Nelson Chamisa, porta-voz do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês). Segundo Chamisa, a Polícia prendeu Tsvangirai após ele ignorar a ordem de não comparecer ao local do evento.   "O partido governante - União Nacional Africana do Zimbábue Zanu, em inglês) - está tentando interromper arduamente 'os ventos da mudança' no Zimbábue, mas falhará em sua tentativa", acrescentou o porta-voz, que especificou que Tsvangirai continua sua campanha no sul do país.   Esta é a segunda vez em três dias em que as forças de segurança zimbabuanas detêm Tsvangirai. A polícia deteve o líder da oposição na última quarta por cerca de oito horas em Matabeleland Sul e depois o liberou sem realizar acusação alguma. Um dos assessores de Tsvangirai afirmou aos jornalistas que a polícia inspecionou os documentos de todos os integrantes da comitiva e os veículos nos quais eles viajavam e, apesar de não os deter formalmente, também não explicou a causa da demora.   Em comunicado divulgado nesta sexta em Harare, o MDC tachou as detenções de Tsvangirai como "um ato desavergonhado e desesperado do governo".

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