EUA e Reino Unido devem apresentar resolução para guerra

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha irão apresentar nesta semana, no Conselho de Segurança (CS) da ONU, uma nova resolução buscando autoridade para desarmar à força Saddam Hussein, informaram diplomatas dos dois países. Apesar de novas ameaças da França e de outros países de bloquear a medida, a proposta de resolução irá provavelmente começar a circular na quarta-feira, depois de dois dias de debates abertos no CS que devem, no geral, condenar a política da administração Bush para com o Iraque. Os diplomatas, que pediram para não ser identificados, esperam que as negociações sobre a proposta no Conselho de Segurança sejam finalizadas até 1º de março, quando o chefe dos inspetores de armas, Hans Blix, apresentará seu novo relatório.As considerações de Blix serão apresentadas por escrito ao secretário-geral Kofi Annan e ao Conselho de Segurança. O relatório irá então tornar-se um documento oficial da ONU e feito público, mas sem a fanfarra de uma reunião televisionada do CS, repleta de ministros do Exterior, como foi o caso na semana passada.O colega de Blix, Mohamed El-Baradei, responsável pela investigação do programa nuclear do Iraque, só deve apresentar um novo relatório em 11 de abril, bem depois do prazo que Washington e Londres estabeleceram para conseguir que o Conselho de Segurança apóie uma nova resolução.Autoridades nas duas capitais passaram o fim de semana trabalhando no que deve ser uma dura resolução. Diplomatas adiantaram que o texto final considerará o Iraque em violação material de suas obrigações e reafirmará que agora Saddam enfrentará sérias conseqüências. Mas não chegará a pedir explicitamente uma ação militar.Também está sendo cogitada a opção de dar um ultimato a Saddam para entregar o poder, ou cumprir uma série de condições em prazos bastantes curtos, afirmaram os diplomatas.A conselheira de Segurança Nacional dos EUA, Condoleezza Rice, revelou no domingo que o texto da nova proposta ainda não estava concluído. Mas repetiu que Saddam tem semanas, e não meses, para se desarmar, ou enfrentará uma ação militar.Ainda assim, o fraco apoio à guerra dentro do conselho ficou ainda mais abalado depois do relatório da semana passada dos inspetores e um fim de semana de maciças demonstrações antiguerra em todo o mundo.O presidente francês, Jacques Chirac, afirmou que seu país irá se opor a qualquer esforço, neste momento, visando a aprovar uma nova resolução da ONU que autorize explicitamente uma guerra contra o Iraque."Não existe hoje necessidade de uma segunda resolução, à qual a França não terá escolha senão se opor", disse Chirac quando chegava a Bruxelas para participar de uma crucial cúpula da União Européia, dominada pela crise iraquiana.França, Rússia e China - que também se opõem a uma guerra agora - podem vetar qualquer resolução. Os três membros permanentes do CS querem a continuidade das inspeções de armas, mesmo com os EUA insistindo que o tempo acabou para Saddam se desarmar pacificamente.O relatório de Blix, apresentado na sexta-feira, foi um incentivo para a posição francesa, e um golpe para a administração Bush, que esperava uma forte condenação à falta de cooperação de Bagdá.Mas Blix ofereceu críticas temperadas e alguns elogios a recentes iniciativas do Iraque, como a aprovação de leis proibindo a produção e estocagem de armas de destruição em massa, a aprovação de sobrevôos de aviões de reconhecimento e entrevistas privadas com cientistas.Não ficou claro, entretanto, como Blix tratará a descoberta, feita por um grupo de especialistas, de que um novo sistema de mísseis iraquiano tem um alcance que excede o permitido pelo Conselho de Segurança.Autoridades dos EUA querem que Blix ordene a destruição dos novos mísseis iraquianos Al-Samoud, mas o inspetor-chefe, em seu relatório, disse apenas que iria informar oficiais de Bagdá sobre a descoberta.O debate aberto amanhã no CS será feito a pedido da África do Sul, representando o grupo dos Não-Alinhados, fortemente oposto à guerra e que busca uma chance de manifestar publicamente suas críticas à política da administração Bush em relação ao Iraque. Com 40 países já escalados para discursar, a sessão certamente se estenderá até quarta-feira.Estados Unidos e Grã-Bretanha, então, planejam fazer circular o esboço de resolução entre os 15 membros do CS.Washington e Londres já disseram que resoluções anteriores dão autorização para um ataque militar, mas o secretário do Exterior britânico, Jack Straw, afirmou hoje em Bruxelas que "politicamente, sempre consideramos que seria desejável uma segunda resolução".Por enquanto, apenas Grã-Bretanha e Espanha têm acompanhado, no CS, a dura posição americana para o Iraque.

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