EUA e Rússia alcançam acordo para acabar com arsenal químico da Síria

Plano definido em Genebra exige que regime sírio entregue lista com descrição dos armamentos que possui e inicie destruição sob supervisão da ONU

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2013 | 15h33

Com um ultimato, Estados Unidos e Rússia chegaram neste sábado a um acordo em Genebra para desarmar o arsenal químico do regime de Bashar Assad e, na prática, suspenderam os planos do presidente americano, Barack Obama, de lançar um ataque militar contra a Síria.

Após três dias de negociações, o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, anunciaram que Assad tem uma semana para entregar a lista completa de seu arsenal. A partir das informações fornecidas pelo regime, a ONU e a Organização para a Proibição de Armas Químicas darão início a um processo de inspeções e apoio logístico para uma destruição controlada dos armamentos.

O ultimato prevê que as primeiras inspeções internacionais ocorrerão até novembro, já com a destruição de parte dos equipamentos. Até meados de 2014, todo o arsenal terá de estar destruído. Parte do processo ocorreria fora da Síria. O Kremlin comemorou o fato de ter evitado um acordo que permitisse uma ação automática contra Assad caso Damasco viole os entendimentos.

"A chance dada à diplomacia evitou uma guerra que poderia ser regional e catastrófica", declarou Lavrov.  Nos bastidores, Obama já havia indicado que não faria questão de que o uso da força fosse mencionado explicitamente no acordo. Após o anúncio do acordo, a Casa Branca divulgou um comunicado do presidente saudando o progresso nas conversas para o desarmamento. Obama, no entanto, fez uma ressalva. "Se a diplomacia falhar, os EUA continuam prontos para agir", afirmou.

Futuro. "Estabelecemos as bases para acabar com o massacre", disse Kerry. Os dois países também chegaram a consenso sobre o tamanho do arsenal de Assad, que teria cerca de mil toneladas de agentes químicos. Kerry insistiu que, se Assad não cumprir o acordo, as violações serão levadas ao Conselho de Segurança da ONU para avaliação sob o capítulo 7 da Carta das Nações Unidas que prevê uso de força.

Lavrov afastou a opção de um ataque. "Nem sabemos se haverá uma violação. Não há como saber agora qual será a punição", declarou. O presidente russo, Vladimir Putin, já deixou claro que vai vetar qualquer possibilidade de resolução que autorize uso da força contra Assad. Lavrov e Kerry voltarão a se reunir no final de setembro, em Nova York.

Rebeldes. Grupos que combatem o regime sírio na guerra civil que já dura mais de dois anos alertaram neste sábado que o acordo foi apenas uma forma de Lavrov e Assad ganharem tempo. Salim Idris, chefe do Conselho Militar Sírio, principal grupo de oposição armadas, classificou o acordo de um "golpe contra a insurgência". Ele lamenta que a solução diplomática não inclua punição para uso de armas químicas no passado. Assad nega que tenha usado. Idris também afirmou que Assad transferiu parte de seu arsenal para Líbano e Iraque.

Mais conteúdo sobre:
SíriaEUARússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.