EUA e Rússia fazem troca de espiões no aeroporto de Viena

Americanos entregaram dez agentes secretos russos; Moscou libertou quatro espiões

Associated Press

09 de julho de 2010 | 10h06

 

VIENA - Os EUA e a Rússia realizaram nesta sexta-feira, 9, a maior troca de espiões desde a Guerra Fria, trocando dez agentes secretos presos em território americano por quatro agentes condenados em Moscou. O procedimento ocorreu no aeroporto de Viena, na Áustria.

 

Dois aviões - um vindo de Nova York e o outro de Moscou - chegaram a Viena em um intervalo de poucos minutos, manobraram até ficar próximos e ficaram parados por cerca de uma hora e meia. Durante esse período, um ônibus viajou de uma aeronave à outra.

 

Concluída a troca, os aviões partiram do aeroporto de Viena - o russo com os dez detidos no fim de junho por viverem nos EUA com identidades falsas e o americano com quatro agentes que haviam sido condenados por espionar para o Ocidente. Não havia informações sobre o destino de casa aeronave, mas o primeiro deve ir para Moscou, e o segundo para Londres.

 

O ministério do Exterior russo confirmou a troca, dizendo que ela representava "o retorno à Rússia de 10 cidadãos russos acusados nos Estados Unidos, juntamente com a transferência simultânea para os EUA de quatro indivíduos previamente condenados na Rússia".

 

Identidades

 

Os dez agentes russos acusados nos Estados Unidos confessaram ter agido como "agentes ilegais de um governo estrangeiro dentro dos Estados Unidos" em uma corte de Nova York. O Kremlin informou as identidades dos quatro agentes condenados na Rússia.

 

Eles são Igor Sutyagin, cientista nuclear preso em 2004 por espionar para a CIA; Sergei Skripal, um oficial da Inteligência militar russa condenado em 2006 por espionar para o Reino Unido; Alexander Zaporozhsky, ex-empregado dos serviços de Inteligência no exterior preso por espionagem em 2003; e Gennadiy Vasilenko, ex-agente da KGB.

 

EUA

 

Após as confissões no tribunal em Nova York, o juiz responsável pelo caso descartou as outras acusações que pesavam contra os dez suspeitos - entre elas a de lavagem de dinheiro - e ordenou a sua deportação imediata do país, o que seria fruto de um acordo em troca das confissões. Durante a audiência, na quinta-feira, sete dos suspeitos revelaram seus verdadeiros nomes e admitiram serem agentes da Rússia.

 

Richard Murphy" e "Cynthia Murphy" admitiram que eram cidadãos russos chamados Vladimir Guryev e Lydia Guryev "Donald Howard Heathfield" e "Tracey Lee Ann Foley" eram cidadãos russos chamados Andrey Bezrukov e Elena Vavilova "Juan Lazaro" admitiu ser o cidadão russo Mikhail Vasenkov "Michael Zottoli" e "Patricia Mills" admitiram ser os cidadãos russos Mikhail Kutsik e Natalia Pereverzeva.

 

Outros três, que também confessaram serem agentes, operavam nos Estados Unidos com seus nomes verdadeiros: Anna Chapman, Mikhail Semenko e Vicky Pelaez. Pelaez, nascida no Peru, era a única dos dez acusados que não tinha nacionalidade russa. Um 11º suspeito está foragido, após ter sido liberado sob fiança no Chipre, onde havia sido preso.

 

Espiões

 

Presos em uma grande operação do FBI e outros órgãos de inteligência americanos em 27 de junho, os dez suspeitos foram acusados pela Promotoria de se passarem por cidadãos comuns para, sob as ordens dos serviços de inteligência russos, se infiltrarem em círculos políticos influentes dos EUA e coletar informações.

 

O Departamento de Estado americano afirmou que "a rede de agentes ilegais" foi desmantelada após "anos de investigação", mas que "nenhum benefício significativo para a segurança nacional" dos EUA "seria trazido pelo encarceramento prolongado destes dez agentes".

 

De acordo com o governo americano, a decisão de trocar os suspeitos pelos prisioneiros que estão na Rússia foi tomada com base em razões "humanitárias e de segurança nacional". "Os EUA tomaram vantagem da oportunidade apresentada para assegurar a libertação de quatro indivíduos que estão servindo em longas penas de prisão na Rússia, muitos dos quais estão em condições da saúde ruins", diz um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado.

 

Com informações da agência BBC

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