Fabrice Coffrini/Reuters
Fabrice Coffrini/Reuters

EUA e Rússia não chegam a acordo e reunião sobre Síria é adiada

Washington e Moscou divergem sobre quando deve ocorrer a conferência e quem deve participar

O Estado de S. Paulo,

25 de junho de 2013 | 19h36

GENEBRA - As discussões entre os Estados Unidos e a Rússia acerca da convocação de uma conferência de paz sobre a Síria não resultaram em nenhum acordo nesta terça-feira, 25, mantendo-se as divergências sobre quando o evento ocorrerá e quem serão os convidados.

O chanceler saudita, príncipe Saud al-Faisal, acusou o governo sírio de "genocídio" e descreveu o envolvimento no conflito de milícias estrangeiras apoiadas pelo Irã como sendo "o desenrolar mais perigoso".

Washington e Moscou anunciaram em maio a intenção de promover uma conferência de paz para a Síria, mas suas divergências sobre esse assunto se agravaram rapidamente, num momento em que o pêndulo no campo de batalha oscilou em favor das forças do presidente Bashar Assad, aliado da Rússia. Os EUA decidiram neste mês oferecer ajuda militar aos rebeldes contrários a Assad, ao passo que os russos continuam fornecendo armas às forças do governo.

Após cinco horas de discussões patrocinadas pela ONU em Genebra, o vice-chanceler russo, Gennady Gatilov, disse que ainda não há acordo sobre a conveniência de convidar o Irã, aliado de Assad e inimigo dos Estados Unidos, para a conferência, e sobre quem deve representar a oposição síria. "Há um desacordo, por exemplo, sobre se o Irã deve ou não participar. Do nosso ponto de vista, a participação do Irã na conferência é necessária porque pode desempenhar um papel importante como um dos países da região", disse ele a repórteres.

Os EUA são contra incluir o Irã nas negociações em meio às contínuas divergências sobre seu polêmico programa nuclear. Gatilov acrescentou que a Rússia gostaria que a delegação da oposição representasse todos os principais grupos, mas não deu mais detalhes sobre essa posição.

Com esses impasses, a conferência não deve ocorrer antes de agosto ou setembro.

Os EUA e potências da Europa Ocidental se alinharam com os países árabes e a Turquia em seu apoio aos rebeldes, majoritariamente sunitas. A Rússia e o Irã apoiam Assad, que conseguiu vitórias militares expressivas nas últimas semanas com a ajuda de milhares de combatentes da milícia xiita libanesa Hezbollah, patrocinada pelo Irã.

O secretário de Estado americano, John Kerry, e o chanceler russo, Sergei Lavrov, vão se reunir na semana que vem e novas discussões sobre a conferência devem se seguir, disse a ONU em nota.

Em Damasco, ativistas da oposição disseram que as forças de Assad dispararam morteiros e foguetes contra os bairros de Zamalka e Irbin, logo a leste do centro, que está sob controle governamental./ REUTERS

 

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