Pablo Martinez Monsivais/AP
Pablo Martinez Monsivais/AP

EUA e Rússia querem fechar acordo nuclear até dezembro

Número de ogivas em cada um dos países pode ser reduzido para cerca de 1,5 mil em sete anos

Efe,

15 de novembro de 2009 | 13h48

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev, reiteraram neste domingo, 15, seu compromisso de fechar um tratado de desarmamento nuclear até o fim do ano.

 

Os dois líderes se reuniram em Cingapura após a cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) e também discutiram o programa nuclear iraniano e a guerra no Afeganistão.

 

Obama e Medvedev disseram que foram alcançados "excelentes progressos" nas negociações para um novo tratado de redução de armamento nuclear para substituir o Start, que expira em 5 de dezembro. "Tenho confiança em que, se trabalharmos duro e com um sentimento de urgência, seremos capazes de conseguir", disse Obama.

 

No entanto, os líderes reconheceram que ainda restam resolver problemas técnicos. Uma das divergências à espera de solução, segundo fontes americanas, é o processo de verificação.

 

Em reunião em Moscou, em julho, Obama e Medvedev decidiram que o novo tratado, que teria uma vigência de dez anos, reduziria o número de ogivas nucleares de cada país a um número entre 1,5 mil e 1,675 mil nos primeiros sete anos. Seus vetores ou projéteis para lançamento seriam reduzidos também a um máximo de entre 500 e 1 mil.

 

O tratado Start, assinado em 1991 e que expira em dezembro, estabelece o máximo de ogivas nucleares permitidas em 2,2 mil e o número de vetores em 1,6 mil.

 

Acordo "ponte"

 

Qualquer acordo entre as partes precisaria da aprovação do Congresso dos EUA e da Duma russa para entrar em vigor, algo que pode levar meses, o que tornará necessária a adoção de um acordo "ponte" para cobrir o vazio entre o Start expirado e o novo pacto.

 

Diante da perspectiva do vazio que ficaria entre o vencimento do Start e a ratificação do novo acordo, o senador americano Richard Lugar, do Partido Republicano, propôs uma medida interina que permitiria o acesso de inspetores russos às instalações americanas.

 

A assinatura do novo tratado poderia acontecer durante a visita de Obama à Europa para receber o Prêmio Nobel da Paz no próximo dia 10, mas funcionários americanos disseram que, por enquanto, ainda não há planos sobre isso.

 

Irã

 

Os dois líderes falaram também sobre a questão do programa nuclear iraniano, um assunto que protagonizou também grande parte do encontro. Obama e Medvedev expressaram sua insatisfação com os progressos nas negociações para persuadir Teerã a colocar fim a suas ambições nucleares.

 

O presidente americano disse que "o tempo está se esgotando" para que o Irã aceite a proposta internacional e, "infelizmente, pelo menos até o momento, o Irã foi incapaz de dizer sim".

 

Medvedev disse que, "se fracassarmos, ficam outras opções sobre a mesa para movimentar o processo em outra direção", em um indício de que a Rússia estaria disposta a apoiar a adoção de sanções. "Nosso objetivo é claro: um programa nuclear transparente e não um que cause preocupação ao resto" da comunidade internacional, disse o presidente russo.

 

As potências internacionais ofereceram ao Irã processar o urânio de que o país precisa para uma usina nuclear com fins médicos, mas o Irã, que inicialmente se mostrou disposto a aceitar a proposta, evitou dar uma resposta definitiva e pediu mais negociações.

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