EUA e Rússia se preparam para maior troca de espiões do pós-Guerra Fria

Avião dos EUA com 10 espiões russos é aguardado em Viena, para troca por 4 agentes perdoados pela Rússia.

BBC Brasil, BBC

09 de julho de 2010 | 06h15

Um avião fretado pelo governo dos Estados Unidos levando dez pessoas acusadas de fazer espionagem para a Rússia estava sendo aguardado na manhã desta sexta-feira em Viena, na Áustria, para a maior troca de espiões já realizada após a Guerra Fria.

Os dez acusados, que confessaram ter agido como "agentes ilegais de um governo estrangeiro dentro dos Estados Unidos" em uma corte de Nova York, serão trocados por quatro pessoas condenadas na Rússia por espionagem.

Ainda não se sabe se estes quatro espiões, que receberam um perdão do presidente russo, Dimitri Medvedev, também serão levados à Viena - onde se acreditava que seria realizada a troca.

O Kremlin informou as identidades dos quatro agentes:

Igor Sutyagin, cientista nuclear preso em 2004 por espionar para a CIA Sergei Skripal, um oficial da Inteligência militar russa condenado em 2006 por espionar para o Reino Unido Alexander Zaporozhsky, ex-empregado dos serviços de Inteligência no exterior preso por espionagem em 2003 Gennadiy Vasilenko, ex-agente da KGB Um representante do governo russo disse à agência France-Press que os agentes deportados dos Estados Unidos eram aguardados em Moscou na manhã desta sexta-feira.

EUA

Após as confissões no tribunal em Nova York, o juiz responsável pelo caso descartou as outras acusações que pesavam contra os dez suspeitos - entre elas a de lavagem de dinheiro - e ordenou a sua deportação imediata do país, o que seria fruto de um acordo em troca das confissões.

Durante a audiência, na quinta-feira, sete dos suspeitos revelaram seus verdadeiros nomes e admitiram serem agentes da Rússia.

"Richard Murphy" e "Cynthia Murphy" admitiram que eram cidadãos russos chamados Vladimir Guryev e Lydia Guryev "Donald Howard Heathfield" e "Tracey Lee Ann Foley" eram cidadãos russos chamados Andrey Bezrukov e Elena Vavilova "Juan Lazaro" admitiu ser o cidadão russo Mikhail Vasenkov "Michael Zottoli" e "Patricia Mills" admitiram ser os cidadãos russos Mikhail Kutsik e Natalia Pereverzeva

Outros três, que também confessaram serem agentes, operavam nos Estados Unidos com seus nomes verdadeiros: Anna Chapman, Mikhail Semenko e Vicky Pelaez. Pelaez, nascida no Peru, era a única dos dez acusados que não tinha nacionalidade russa.

Um 11º suspeito está foragido, após ter sido liberado sob fiança no Chipre, onde havia sido preso.

Espiões

Presos em uma grande operação do FBI e outros órgãos de inteligência americanos em 27 de junho, os dez suspeitos foram acusados pela Promotoria de se passarem por cidadãos comuns para, sob as ordens dos serviços de inteligência russos, se infiltrarem em círculos políticos influentes dos EUA e coletar informações.

O Departamento de Estado americano afirmou que "a rede de agentes ilegais" foi desmantelada após "anos de investigação", mas que "nenhum benefício significativo para a segurança nacional" dos EUA "seria trazido pelo encarceramento prolongado destes dez agentes".

De acordo com o governo americano, a decisão de trocar os suspeitos pelos prisioneiros que estão na Rússia foi tomada com base em razões "humanitárias e de segurança nacional".

"Os Estados Unidos tomaram vantagem da oportunidade apresentada para assegurar a libertação de quatro indivíduos que estão servindo em longas penas de prisão na Rússia, muitos dos quais estão em condições da saúde ruins", diz um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado.

Prisioneiros

Um dos prisioneiros libertados pela Rússia devido à troca com os EUA, o cientista nuclear Igor Sutyagin, estava em uma prisão próxima ao Círculo Polar Ártico, mas que foi recentemente transferido para Moscou.

Ele foi preso em 2004, acusado de ser um agente da CIA, o serviço de inteligência dos EUA.

Em entrevista à BBC, o irmão de Sutyagin, Dmitry, afirmou que ele teria sido avisado pelas autoridades russas de que seria trocado como parte do acordo, e que autoridades americanas estariam presentes neste momento.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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