EUA e Rússia tentam conter histeria antiespionagem

Depois das retaliações de praxe de cada lado, os líderes dos EUA e da Rússia mostraram-se empenhados hoje em minimizar a histeria antiespionagem dos últimos dias, transmitindo a mesma mensagem: o caso não prejudicará as relações entre os dois países.A Casa Branca anunciou que o presidente George W. Bush considera o assunto encerrado e o líder russo, Vladimir Putin, disse não acreditar que o episódio terá maiores conseqüências.Hoje, a Rússia comunicou oficialmente aos EUA a decisão de expulsar quatro diplomatas americanos por "atividades incompatíveis com seus status" - um jargão tradicional da diplomacia para referir-se à espionagem. A medida é uma retaliação pelo fato de Bush ter ordenado na quarta-feira à noite a saída do país de 50 russos do corpo diplomático - 4 deles em dez dias e o restante até julho. A chanceleria da Rússia já informou aos EUA que também vai expulsar outros 46 americanos.A crise russo-americana foi desencadeada depois que o FBI descobriu, no mês passado, que seu funcionário Robert Hanssen atuou por vários anos como espião para a União Soviética e, depois, a Rússia, às quais passou enorme quantidade de segredos, incluindo nomes de russos que atuavam como agentes americanos. Os quatro primeiros diplomatas expulsos teriam sido contatos de Hanssen (outros dois deixaram o país antes, espontaneamente). A descoberta da ação de Hanssen e as retaliações constituem o pior escândalo de espionagem desde o fim da guerra fria.O porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, garantiu hoje que as expulsões não são conseqüência apenas do caso Hanssen, mas resultado de "preocupações de longa data" em Washington sobre o número de agentes russos operando com cobertura diplomática. Se os EUA insistirem na saída dos outros 46 russos, será a maior expulsão de supostos agentes desde 1986, quando o presidente Ronald Reagan mandou de volta para a Rússia 90 diplomatas soviéticos."Eles vão entender que minha administração toma posições firmes, quando avalia que está certa, e isso não exclui, por exemplo, que eu e o sr. Putin possamos encontrar-nos em algum momento e manter uma discussão boa e honesta sobre assuntos comuns, sobre os quais podemos trabalhar juntos", comentou Bush com repórteres, respondendo a perguntas sobre o que pensava da reação da Rússia à expulsão de seus diplomatas. Bush visitava o Estado do Maine, para promover seu plano de redução de impostos."Agora, nossos serviços especiais vão encarregar-se de identificar esses 46 candidatos que serão obrigados a deixar a Rússia nos próximos três meses", afirmou em Varsóvia o chanceler russo, Igor Ivanov, que, ao contrário de Putin, manteve hoje o tom crítico em relação à ação dos EUA. Ele considerou que a Casa Branca está tratando do assunto "como se a Rússia continuasse sendo da União Soviética, nada tivesse mudado e a Rússia ainda fosse o ´Império do Mal´".

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