EUA e Rússia travam batalha diplomática na Geórgia

Em pelo menos um lugar do mundo, a Guerra Fria parece ainda não ter terminado. Na Geórgia, ex-república soviética, Estados Unidos e Rússia travam uma batalha diplomática e até mesmo militar para controlar a região e suas fontes de energia. Os russos acusam a Geórgia de cooperar com os rebeldes da Chechênia e, portanto, vem realizando ataques na região do vale de Panquisi, na fronteira entre a Geórgia e a Chechênia. O último ataque ocorreu na semana passada e foi duramente criticado pelo governo da Geórgia, com base em Tblisi. O governo local garante que não está dando apoio aos rebeldes chechenos, mas também não se animam com a idéia de cooperar com os russos. "Há confiança entre os governos de Tblisi e Moscou", afirmou um diplomata da Geórgia ao Estado. O verdadeiro motivo dos ataques realizados pelos russos, segundo altos funcionários do governo, seria tentar desestabilizar a Geórgia e assim controlar o futuro político e econômico do país, com pouco mais de 5 milhões de habitantes. Para tentar conter as iniciativas militares de Moscou, o governo da Geórgia estabeleceu, desde o ano passado, um acordo com os Estados Unidos de mais de US$ 60 milhões para preparar o exército nacional a controlar o território. Até agora, cerca de 200 militares de Washington já foram enviados para a capital do país, supostamente para treinar o exército nacional. No último fim de semana, o governo da Geórgia enviou mil soldados para a fronteira do país com a Chechênia. A explicação oficial fornecida aos meios de comunicação foi de que se tratava de um treinamento, mas ninguém esconde que o país quer tentar expulsar rebeldes. Desta forma, as justificativas de Moscou para continuar atacando a fronteira em busca de chechenos não poderia mais ser utilizada pelos russos. Motivo O interesse dos Estados Unidos pela Geórgia tem pelo menos dois motivos: os imensos recursos petrolíferos existentes no território do país e a possibilidade de ocupar uma região que, até pouco mais de dez anos, era zona de influência exclusiva de Moscou. As perspectivas de lucros no setor de energia já levaram à ex-república soviética empresas como a Unocal, Eni e Itochu. A presença de militares dos Estados Unidos, portanto, cumpriria a função de tentar manter o controle do território para que as petrolíferas possam operar. Mesmo assim, o ambiente no país ainda é pouco estável. No último dia 14, um dos gerentes da empresa norte-americana AES, que é responsável pela energia elétrica no país, foi assassinado. "Os motivos, por enquanto, ainda não foram revelados", completa um funcionário do governo local.

Agencia Estado,

26 Agosto 2002 | 12h08

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.