EUA e Rússia vão cooperar em área de inteligência contra Estado Islâmico

EUA e Rússia intensificarão a colaboração e trocarão informações de inteligência sobre o grupo extremista Estado Islâmico (EI), que domina parte do Iraque e do norte da Síria. O anúncio foi feito ontem, em Paris, em uma reunião entre o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov.

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2014 | 02h04

Trata-se da primeira cooperação entre Washington e Moscou desde a intensificação da crise na Ucrânia, em fevereiro, seguida da adoção de sanções mútuas. O acordo entre os chanceleres foi firmado em um encontro promovido pelo governo da França. Kerry e Lavrov chegaram a Paris na segunda-feira, quando o americano teve uma primeira reunião com o ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius.

Ontem, foi a vez de Lavrov encontrar-se com o chefe da diplomacia francesa. No final da tarde, o americano e o russo conversaram durante três horas nos jardins da residência oficial do embaixador dos EUA em Paris. Além do combate aos jihadistas e da crise ucraniana, o encontro tratou das negociações nucleares entre as potências e o Irã.

Acordos. Sobre o EI, os dois países decidiram aprofundar a cooperação e a troca de informações entre órgãos de inteligência que monitoram redes terroristas no Oriente Médio. Desde 15 de setembro, Washington lidera uma coalizão internacional que realiza bombardeios contra posições jihadistas no Iraque e na Síria.

Parte das operações é realizada por França e Grã-Bretanha, além de países árabes - Arábia Saudita, Emirados Árabes, Jordânia, Bahrein e Catar. "Em nossas conversas de hoje, sugeri ao ministro Lavrov que nós intensifiquemos a cooperação em inteligência com relação ao Estado Islâmico e no combate ao terrorismo na região, o que nós concordamos em fazer", afirmou Kerry, em um rápido pronunciamento.

EUA e Rússia estão em campos opostos há três anos e meio com relação ao governo de Bashar Assad, na Síria, mas o avanço de extremistas no norte do país acabou favorecendo a aproximação de ontem.

Kerry também afirmou que "não há discrepâncias" entre os EUA e a Turquia sobre as estratégias de combate aos extremistas islâmicos. Militantes do grupo terrorista cercam a cidade curda de Kobani, na fronteira entre Síria e Turquia, sem que até agora o Exército turco tenha agido para conter o avanço dos islamistas. A população local fugiu, em boa parte atravessando a fronteira para o território turco. Segundo Kerry, cabe a Ancara definir seu papel na ofensiva.

Ucrânia. Outro tema crucial da reunião foi a crise no leste da Ucrânia. Na sexta-feira, em Milão, na Itália, o presidente russo, Vladimir Putin, se encontrará mais uma vez com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, para discutir a estabilização da região de Donbass, junto à fronteira com a Rússia.

Kerry afirmou a Lavrov que o governo americano não aceitará as reivindicações de independência dos separatistas ucranianos, que desejam anexação à Rússia. Washington exigiu também o fim das hostilidades, o respeito à soberania de Kiev e às eleições parlamentares programadas para o dia 26.

"Qualquer esforço para realizar referendos em Luhansk e em Donetsk será uma clara violação dos acordos de Minsk e seus resultados não serão reconhecidos pela Ucrânia e pela comunidade internacional", afirmou Kerry, ressaltando que Lavrov não concordou com a premissa.

O chanceler russo deu apenas uma rápida declaração sobre o encontro, afirmando que "Rússia e EUA executam um papel especial nos esforços globais para resolver problemas internacionais urgentes", mas que "importantes diferenças permanecem existindo" entre os dois países.

Em um sinal de mais turbulência para a coalizão liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico (EI), aviões militares turcos bombardearam supostas posições rebeldes curdas no sudeste da Turquia, na segunda-feira.

Os bombardeios foram o primeiro grande ataque contra a guerrilha curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) desde que tiveram início as conversações de paz, há dois anos.

A agência de notícia Dogan noticiou que jatos F-16 turcos atingiram um acampamento militar do PKK em Hakkari, próximo da fronteira com o Iraque.

Os bombardeios adicionaram tensões entre o parceiro-chave da coalizão internacional e o PKK, um grupo militante adicionado à lista de organizações terroristas pelos EUA. No entanto, a guerrilha é também um dos adversários mais ferozes ao EI. / AP

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