EUA e UE repudiam violência contra protestos em Mianmá

Após impor sanções, Casa Branca deve pedir que militares conduzam governo pacificamente à democracia

Agências internacionais,

26 de setembro de 2007 | 11h47

Membros da comunidade internacional manifestaram preocupação com os protestos em Mianmá, onde militares repreendem violentamente os monges budistas e a população que tentam derrubar o regime que comanda o país. Segundo o porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe, os Estados Unidos pedirão ao governo que estabeleça "uma transição pacífica para a democracia" caso se confirmem as mortes dos sacerdotes nas manifestações.   Veja também: Entenda a crise e o protesto dos monges Birmaneses saem às ruas; cinco morrem Militares acusam Nobel de liderar protesto China e Índia têm a chave do futuro do país Militares impõem toque de recolher Em discurso na ONU, Bush anuncia sanções Na terça-feira, o presidente americano, George W. Bush, confirmou que Washington ampliará as sanções impostas ao país asiático. Mais cedo, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pediu que o Conselho de Segurança das Nações Unidas se reúna nesta quarta para discutir a onda de violência no local e a União Européia alertou o regime militar que também pode ampliar as restrições impostas à Mianmá. O premiê italiano, Romano Prodi, declarou o interesse em se reunir com a presidência da União Européia, atualmente liderada por Portugal, para solicitar um encontro entre os líderes da organização para que o grupo mobilize um esforço internacional para garantir o direito à liberdade de expressão e o respeito aos direitos humanos no país. A Espanha, por meio de comunicado, também manifestou preocupação com a violência em Mianmá. O secretário de Estado de Relações Exteriores da França, Jean-Pierre Jouyet, considerou "inaceitável" a repressão das manifestações contra o regime em Mianmar e avisou que os membros da junta militar serão considerados "pessoalmente responsáveis" pelo que acontecer no país. Jouyet disse ainda que "as decisões européias serão tomadas rapidamente" e que o alto representante da União Européia para a Política Externa e de Segurança Comum, Javier Solana, se deslocará para a região. Na terça-feira, a secretária-geral da Anistia Internacional (AI), Irene Khan, pediu que o Conselho de Segurança envie "imediatamente" uma missão a Mianmar para dizer aos militares que o governo pagará caro se repetir a violenta repressão de 1988, quando 3 mil pessoas morreram. A junta militar de Mianmá anunciou um toque de recolher, a proibição de reuniões de mais de cinco pessoas e colocou as forças de segurança nas ruas das maiores cidades do país, Rangum e Mandalay, para tentar acabar com os maiores protestos em quase 20 anos. Os monges, que assumiram nos últimos dias a liderança dos protestos contra a junta, exigem que o governo peça desculpas por ter maltratado sacerdotes em uma manifestação ocorrida recentemente no norte do país. Nas semanas que antecederam a adesão dos monges, a população local vinha protestando em menor escala por causa do aumento do preço dos combustíveis em um dos países mais pobres de Ásia. Os manifestantes agora exigem a saída da junta militar do poder do país. Dezenas de sacerdotes foram espancados antes de serem presos e levados em caminhões do Exército para centros de detenção, depois que centenas de milhares de pessoas desafiaram a proibição da organização de atos de protesto imposta na noite de terça. Mianmar é governado por um regime militar desde 1962 e não realiza eleições parlamentares desde 1990, quando o partido oficial perdeu de maneira arrasadora para a Liga Nacional para a Democracia (LND), liderada pela prêmio Nobel da Paz em 1991, Suu Kyi, em prisão domiciliar desde 2003.

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