EUA e Venezuela dão sinais de reaproximação

Maduro diz que encontro entre autoridades abriu canal que pode levar ao restabelecimento delaços diplomáticos

CARACAS, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2015 | 02h06

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que o recente encontro entre autoridades venezuelanas e americanas abriu um importante canal que pode levar à restauração das relações diplomáticas entre os dois países. Os comentários de Maduro foram feitos após uma reunião no sábado, no Haiti, que incluiu o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, a chanceler, Delcy Rodríguez, e o conselheiro do Departamento de Estado americano, Thomas Shannon.

O Departamento de Estado indicou ontem que acordos bilaterais sempre são positivos e produtivos. As relações entre os dois países, que raramente foram suaves, deterioraram-se rapidamente no início do ano, após a Venezuela impor a exigência de visto para turistas americanos e ordenar aos EUA a redução de sua equipe na embaixada em Caracas. Washington declarou, então, a Venezuela como uma ameaça à segurança nacional e impôs sanções contra funcionários venezuelanos de alto escalão.

Maduro acusa frequentemente os EUA de conspirarem para derrubar seu governo socialista. Recentemente, porém, ele recuou em alguns pontos. Durante um discurso transmitido em rede nacional, na segunda-feira, o presidente venezuelano disse que os dois países estão trabalhando para normalizar as relações diplomáticas na base do respeito mútuo" com Cabello, o número 2 do governo, liderando os esforços da Venezuela.

Os dois países não trocam embaixadores desde 2010. No entanto, os EUA mantêm profundos laços econômicos com a Venezuela, em particular no setor energético. Caracas é um dos cinco maiores fornecedores de petróleo para os americanos, de acordo com relatório do Departamento de Estado de 2013.

Cabello nega as informações de que promotores americanos o estejam investigando por vínculos com o tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro. Ele também desmentiu enfaticamente que dirige um cartel de drogas e prometeu processar os veículos de informação locais e internacionais que publicaram relatórios que o relacionam com o inquérito. Desde abril, Shannon e outros diplomatas americanos têm viajado para Caracas para participar de reuniões com autoridades venezuelanas.

TV online. O grupo editorial El Venezolano lançará em julho o El Venezolano TV-Espanha, um canal de televisão em Madri transmitido via internet e destinado a espanhóis e venezuelanos residentes no país europeu.

A inauguração terá a participação de Lilian Tintori, mulher do líder opositor Leopoldo López, e Mitzy Capriles, mulher de Antonio Ledezma, prefeito metropolitano de Caracas. López foi preso em 2014, acusado de incitar as violentas manifestações que deixaram 43 mortos. Ledezma foi detido no início do ano, acusado de planejar um golpe contra o governo.

Os apresentadores serão jovens venezuelanos e espanhóis e as entrevistas serão conduzidas por jornalistas e personalidades dos dois países.

As transmissões terão início no dia 5, dia da independência da Venezuela, com oito horas de transmissão diárias que poderão ser vistas na página www.elvenezolanotv.es. O grupo já tem jornais em Miami, Broward, Orlando e Houston, nos EUA, além de Panamá, Costa Rica e República Dominicana. Além disso, ele também possui o portal Venezolanonews, o canal de TV a cabo 81 de Comcast, em Miami, e o canal de TV online ElVenezolano.tv, que também transmite para a Flórida.

/ EFE e AP

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