EUA elevam o tom de advertências ao governo sírio

Hillary advertiu estar se esgotando o tempo para Bashar al-Assad consentir transição política pacífica

Denise Chrispim Marin / CORRESPONDENTE / WASHINGTON,

08 de julho de 2012 | 18h10

WASHINGTON - Os Estados Unidos elevaram o tom de suas advertências ao governo da Síria neste domingo, 8, em resposta aos exercícios de lançamento de mísseis pela Marinha síria na véspera. Em Tóquio, onde participa da Conferência sobre Afeganistão, a secretária de Estado, Hillary Clinton, advertiu estar se esgotando o tempo para o líder sírio, Bashar al-Assad, consentir com a transição política pacífica e evitar um "ataque catastrófico" dos grupos rebeldes.

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As declarações de Clinton surgiram como um reforço à missão do enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Kofi Annan. Ele desembarcou ontem em Damasco para mais uma tentativa de convencer Assad a aceitar um novo cessar-fogo e o início da transição. No sábado, 7, porém, Annan havia reconhecido o fracasso de seu próprio plano de paz.

"Quanto antes a violência terminar e começar o processo de transição política, não só menos pessoas morrerão, mas haverá chance de salvar o Estado sírio de um ataque catastrófico, que pode ser muito perigoso não apenas para a Síria, mas para a região", afirmou a secretária de Estado, em entrevista à imprensa.

Hillary Clinton sublinhou estar a oposição síria cada vez mais eficiente na tarefa de se defender e de organizar ofensivas contra os militares e as milícias governamentais da Síria. As forças rebeldes, de fato, tem se mostrado mais audaciosas nas suas confrontações com as tropas do governo. "O futuro estará muito claro para os que apoiam o regime de Assad. A areia da ampulheta está escorrendo", advertiu.

A secretária de Estado voltou a acusar a Rússia e a China de dificultar a ação internacional em favor de uma solução pacífica para a crise síria, que se estende há 16 meses. Ambos os países impedem a adoção de sanções econômicas mais duras contra Damasco pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e vetariam um eventual projeto de estabelecer uma zona de exclusão aérea, como querem os rebeldes sírios.

Kofi Annan, em Damasco, reconheceu a influência russa nesse processo de decisão. Mas destacou estar mais preocupado com a ingerência do Irã e de outros países na questão síria. "Parece que há muita conversa sobre a Rússia e pouca sobre o Irã. Muito pouco está sendo dito sobre outros países que estão enviando dinheiro e armas (às forças regulares da Síria)", disse ele.

Em entrevista no último dia 5 à rede de televisão alemã Das Erste, transmitida ontem, Assad esquivou-se de abordar o suposto apoio que vem recebendo de outros países. Preferiu acusar a Arábia Saudita e o Catar de prover material bélico aos "terroristas" sírios e a Turquia de fazer vistas grossas ao contrabando de suprimentos. Essas atitudes, defendeu ele, ameaçam o plano de paz "muito bom" de Annan.

"O maior obstáculo está nos fatos de muitos países não querem o sucesso desse plano. Então, eles oferecem apoio e continuam a fornecer armas e dinheiro aos terroristas na Síria", afirmou Assad.

 

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