EUA eliminam nº 2 da Al-Qaeda no Paquistão

Ofensiva com avião não tripulado é considerada a maior conquista na luta contra a organização terrorista desde a morte de Bin Laden

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2012 | 06h37

Com o ataque de um avião não tripulado na segunda-feira, no Paquistão, os EUA mataram Abu Yahya al-Libi, o número 2 da Al-Qaeda. Resultado da estratégia de Washington de minar a liderança da organização terrorista, a operação foi considerada pelo governo como a mais importante desde a execução de Osama bin Laden, há 13 meses, também em território paquistanês.

A morte do número 2 da Al-Qaeda, cuja cabeça valia US$ 1 milhão, foi anunciada ontem por uma autoridade militar americana, que preferiu manter o anonimato. A informação foi confirmada pelo porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, para quem o fato impõe "uma pressão adicional sobre a Al-Qaeda" após a morte de Bin Laden. "A operação acaba com o número 2 da Al-Qaeda. Pela segunda vez em menos de um ano, prejudica o moral e a coesão do grupo e o torna mais próximo da sua extinção", disse Carney.

Al-Libi, de 49 anos, era um dos últimos membros da geração de militantes da Al-Qaeda que lutaram contra a invasão soviética ao Afeganistão, nos anos 80. Havia participado da organização terrorista Grupo de Combate Islâmico Líbio. Desde a morte de Bin Laden, ele havia ascendido ao segundo posto na hierarquia da Al-Qaeda, que passou ao comando do egípcio Ayman al-Zawahiri.

Considerado um poeta, líder carismático e grande orador, ele realizava três atividades: era líder religioso, com poder para baixar fatwas (decretos islâmicos); era a ponte entre o comando e as células da organização em vários países; e era propagandista. Tornou-se conhecido por ter gravado uma série de 17 vídeos e áudios para conclamar a militância à jihad contra as forças dos EUA.

Sua maior façanha, porém, foi a fuga da prisão de Bagram, em uma base dos EUA no Afeganistão, em 2005. Trata-se da mesma masmorra onde prisioneiros civis afegãos foram torturados e assassinados por militares americanos no começo dos anos 2000.

A caça a Al-Libi começou quando um avião não tripulado disparou mísseis contra a casa onde ele se escondia no Waziristão do Norte, província paquistanesa na fronteira com o Afeganistão. Segundo o Pentágono, quatro pessoas morreram no primeiro ataque. Com os disparos seguintes, outros 12 militantes foram executados. Desde sábado, foi o terceiro ataque de drones na região, um dos principais esconderijos de líderes do Taleban e da Al-Qaeda.

Al-Libi é o segundo líder da Al-Qaeda a ser morto no Paquistão em um ataque americano lançado sem prévia autorização de Islamabad. O primeiro foi o próprio Bin Laden, escondido havia cinco anos em Abbottabad, cidade vizinha a uma base militar paquistanesa e próxima à capital.

O episódio deve prejudicar ainda mais a relação entre Washington e Islamabad. Os EUA esperavam concluir até meados de maio um acordo com o Paquistão para reabrir as rotas para o suprimento das tropas da Otan no Afeganistão e para a retirada de seu contingente e equipamentos a partir de meados de 2013, mas não houve progresso.

Ontem, o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA em Islamabad foi chamado pela chancelaria paquistanesa para explicar os ataques. As missões, do ponto de vista de Islamabad, são "ilegais, contrárias às leis internacionais e violam a soberania do Paquistão". "O Parlamento declarou que elas são inaceitáveis. Os ataques de drones representam um claro sinal vermelho para o Paquistão", disse a chancelaria do país, em comunicado. / AP e REUTERS

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