EUA entregam papéis secretos sobre ditadura argentina

A embaixada dos EUA informou nesta terça-feira que o Departamento de Estado "desclassificou" - deixou de considerar secretos -cerca de 4.700 documentos relacionados com violações aos direitos humanos e violência política na Argentina, entre 1975 e 1984. Os documentos compreendem o período entre 1976 e 1983, em que esteve no poder a ditadura militar que se autodenominou "Processo de Reorganização Nacional", responsável pelas piores violações aos direitos humanos cometidas no século passado na Argentina. A documentação foi encaminhada ao chanceler Carlos Ruckauf, e estará disponível em um site da Internet, informou a embaixada, e, para leitura, na biblioteca do escritório FOIA (Freedom of Information Act) do Departamento de Estado. Durante uma breve entrevista à imprensa, Ruckauf disse que a informação americana "abrange o ocorrido durante a época mais dura da Argentina e permitirá conhecer aspectos até agora ignorados de que fomos vítimas da Triple A, da Operação Condor, do genocídio e do que ocorreu com a Guerra das Malvinas". A Triple A (Aliança Anticomunista Argentina) foi um grupo parapolicial organizado durante o governo da ex-presidente Isabel Perón por seu homem de confiança e ministro do Bem-Estar Social, José López Rega. Antes do golpe militar de 1976, assassinou dezenas de supostos esquerdistas e perpetrou atentados terroristas. Após o golpe militar de 1976, muitos de seus elementos passaram a engrossar os "grupos de tarefas" da ditadura. Denomina-se Operação Condor o acordo acertado na década de 70 pelas ditaduras militares que governavam a Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, pelo qual se dispunham a cooperar na represssão de seus adversários políticos. "Estamos entregando estes documentos para ajudar a Argentina na investigação de atos de violência durante o período anteriormente mencionado. Esta entrega de documentos responde a uma variedade de pedidos, incluindo os formulados pelos governos da Argentina, do Uruguai, pelas Avós da Praça de Maio e o Congresso dos EUA", diz o comunicado da embaixada americana.

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