EUA enviam aviões não tripulados à coalizão

CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2011 | 00h00

O Pentágono anunciou ontem o envio dos aviões não tripulados Predator para o combate às forças do regime de Muamar Kadafi. Trata-se da segunda ajuda direta dos EUA à coalizão comandada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

No último dia 15, o Departamento de Estado comunicou ao Congresso que o governo americano estaria disposto a destinar, com urgência, US$ 25 milhões em equipamentos "não letais" para as forças da coalizão.

O envio dos aviões americanos pilotados por controle remoto foi confirmado ontem à imprensa pelo secretário de Defesa, Robert Gates. Conforme afirmou, essa é uma "modesta contribuição" e um "exemplo da capacidade" dos EUA.

Segundo o almirante James Cartwright, vice-comandante das forças conjuntas americanas, a primeira ação dos Predators na Líbia, prevista para ontem, foi suspensa por causa do mau tempo. Essas aeronaves, que custam US$ 4,5 milhões cada, serão usadas em operações de ataque de baixa precisão contra tropas leais a Kadafi.

A nova ajuda americana vem no momento em que a Otan se prepara para uma onda de ataques contra alvos estrategicamente importantes para deter as ofensivas do regime de Kadafi contra cidades sitiadas.

Uma advertência da organização foi novamente emitida para que os civis líbios se afastem de áreas militares. Nos últimos dias, a Otan vinha sendo criticada pelos rebeldes por não se mostrar suficientemente agressiva.

Gates reiterou a decisão dos EUA de não enviar tropas à Líbia. A mudança no regime líbio, segundo ele, deve ser promovida por seus cidadãos, não por forças estrangeiras. O objetivo americano seria debilitar os soldados de Kadafi para facilitar a vitória rebelde.

Pelos cálculos do Pentágono, Kadafi sentirá seu poder militar e financeiro se reduzindo pela intervenção da Otan e pelas sanções internacionais.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, informou ontem ter recebido relatórios sobre o uso de bombas de fragmentação pelas forças leais a Kadafi contra os rebeldes, fato que considerou "deplorável" por sua capacidade de atingir civis líbios.

Os explosivos, também chamados de "bombas de cacho", teriam sido usados contra áreas de Misrata. A revelação foi feita pelo New York Times, que encontrou pedaços do artefato. Lançadas por aviões ou foguetes, elas liberam dezenas ou centenas de minibombas.

Os explosivos atingem, de forma indiscriminada, uma região equivalente a quatro campos de futebol. As que não explodem no ar tornam-se espécies de minas terrestres, estendendo por décadas o risco aos civis.

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