EUA enviam mais 35 mil soldados ao Golfo Pérsico

Aumentando a pressão militar sobreSaddam Hussein, o secretário de Defesa dos Estados Unidosordenou a partida de 35 mil soldados norte-americanos para aregião do Golfo Pérsico, no maior deslocamento de tropas desde orecente acirramento das tensões com o o Iraque. Ao mesmo tempo, o porta-aviões britânico Ark Royal, com 800soldados a bordo, zarpou neste sábado com destino ao Sudeste Asiático,de onde pode ser deslocado rapidamente para o Golfo. A partidamarca o início do que deve ser o maior deslocamento naval daGrã-Bretanha desde a Guerra das Malvinas, em 1982. Enquanto isso, aliados-chave dos Estados Unidos já enviaramclaros sinais à Casa Branca pedindo que seja dado mais tempo aosinspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) paraque completem seu trabalho no Iraque, ainda que isso implique noadiamento de uma ação militar no Golfo Pérsico, revelou o jornal The Washington Post em sua edição de sábado. A oposição desses aliados à iminência de uma guerra contra oIraque reforça a posição dos assessores moderados daadministração Bush, que se mostram contrários a um ultimato paraque Saddam Hussein cumpra todas as exigências de destruir seussupostos arsenais de armas de destruição de massa. Assim, deacordo com fontes da administração, a possibilidade de um ataqueem fevereiro parece se diluir, continua o Post. Ainda hoje, em Argel, o vice-primeiro-ministro iraquiano,Tarek Aziz, declarou que as armas de destruição em massa são umfalso pretexto para que os Estados Unidos ocupem a região. "Overdadeiro e único objetivo dessas operações é dominar o Iraque,destruí-lo, ocupar a região para favorecer Israel e impor umdomínio total ao mundo", disse Aziz, que está visitando aArgélia. "Aceitamos todas as resoluções da ONU, particularmente a1.441 (sobre as inspeções). Os inspetores investigaram mais de300 locais, alguns várias vezes, e, mesmo assim, as forçasnorte-americanas e britânicas continuam chegando ao Golfo",argumentou. Também apontando objetivos diferentes dos anunciadosoficialmente para uma guerra no Golfo Pérsico, o jornalnorte-americano Newsday, de Nova York, diz que uma parcela dosmembros da administração Bush quer que os EUA tomem as reservasde petróleo do Iraque como espólio de guerra. De acordo com o jornal, os defensores dessa medida alegam queos EUA devem tomar o controle das reservas iraquianas depetróleo para pagar o custo do processo de instalação de umregime democrático no Iraque. Newsday cita um porta-voz do Conselho de Segurança Nacionaldos EUA, segundo o qual a Casa Branca concorda que a receitaobtida com o petróleo iraquiano desempenharia um papelimportante durante o período de ocupação do Iraque por tropasnorte-americanas, mas somente em benefício do povo iraquiano. Apesar disso, dentro do governo, e mesmo dentro da Casa Branca há "fortes defensores" da proposta de que os EUA se apropriemda receita obtida com a venda de petróleo iraquiano como"espólio de guerra", diz o jornal. Segundo o jornal, oDepartamento de Justiça está recomendando cautela quanto a essaproposta.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.