EUA enviam navios de ajuda à Mianmar e criticam governo

Quatro embarcações com suprimentos vão para região; oficiais condenam demora de Yangon em aceitar ajuda

Agências internacionais,

08 de maio de 2008 | 19h58

Navios de auxílio dos Estados Unidos seguiram para Mianmar nesta quinta-feira, 8, enquanto altos oficiais do governo americano condenavam a demora de Yangon em aceitar ajuda externa. Aviões da Força Aérea americana carregados de suprimentos também aterrissaram perto da Tailândia, local onde as autoridades americanas estabeleceram como ponto estratégico para uma possível missão humanitária em Mianmar.  Veja também:Ajuda dos EUA para sobreviventes em Mianmar é incertaPaís recebe 1º grande envio de ajuda internacional Ao menos 80 mil morreram em um só distrito  As Nações Unidas estimam que cerca de 1,5 milhão de pessoas foram severamente afetadas pelo ciclone Nargis, que atingiu o país no sábado, enquanto outros 100 mil são dados como mortos. "Esta é a oportunidade de salvar várias vidas e nós estamos totalmente preparados. Será uma tragédia se as pessoas não aproveitarem essa ajuda", declarou o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates.  A Marinha americana anunciou que quatro navios, incluindo o destróier USS Mustin e três embarcações da Escola de Saúde do Exército (Essex), partiram para Mianmar do Golfo da Tailândia, após a Essex posicionar três helicópteros na Tailândia para uma possível ação de auxílio. Mike Mullen, um alto líder do Exército americano, disse que os navios devem chegar à região em aproximadamente cinco dias. Mais cedo, o embaixador americano nas Nações Unidas Zalmay Khalilzad disse que o governo de Washington se sente "ultrajado" pela demora de Mianmar em aceitar a ajuda humanitária nas áreas devastadas pelo ciclone. O diretor do departamento de assistência a desastres da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Ky Luu, afirmou que os estoques de suprimentos existentes no país poderá atender somente 10 mil pessoas.  Ele acrescentou que o envio de ajuda por meio de aviões é uma possibilidade que deve ser considerada, mas tanto Gates quanto Mullen enfatizaram que nenhuma ação de socorro ocorrerá sem a aprovação do governo de Mianmar. Ajuda da ONU Os primeiros aviões da ONU chegaram ao país nesta quinta para entregar suprimentos de ajuda aos desabrigados. A primeira aeronave, que saiu da Itália, levava bolachas de alto valor energético, remédios e outros suprimentos. Um segundo avião, saindo de Bangladesh, também já chegou ao país. Outros dois eram esperados ainda nesta quinta-feira.  Foto: ReutersOs vôos haviam sido atrasados porque a junta militar que governa Mianmar se mostrava relutante em aceitar ajuda.  A confusão se segue à intensa pressão da comunidade internacional para que o governo do país facilite o envio do auxílio emergencial. A ONU disse que quatro integrantes de um grupo de avaliação já receberam permissão para viajar ao país, mas que um quinto membro da equipe ainda aguarda o visto.  A porta-voz da organização, Elizabeth Byrs, disse que a decisão "mostra uma certa abertura, mas muito lenta." Socorro francês Ainda nesta quinta-feira, o governo francês informou que preparou o envio de aviões com ajuda humanitária para os afetados pelo ciclone Nargis, e espera as autorizações e as garantias das autoridades do país. O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, reiterou em comunicado seu apelo ao governo do país para que "levante todas as restrições ao livre envio da ajuda pelos canais mais eficazes", pois "os organismos especializados das Nações Unidas e as ONG devem poder ter imediatamente acesso às vítimas." "Fazer frente aos sofrimentos humanos, estejam onde estiverem, é o sentido da 'responsabilidade de proteger' aceita pela comunidade internacional e iniciada pela França", ressaltou Kouchner. Paralelamente, o Ministério da Defesa colocou à disposição os navios que tem na região e que deviam participar de manobras com os exércitos indiano e britânico. O governo francês aumentou de 200 mil euros para dois milhões de euros a verba destinada em particular às ONG francesas que já estiverem presentes em Mianmar. O Executivo francês também iniciou uma célula de crise para coordenar a ação. Os serviços da embaixada da França em Mianmar tinham advertido os membros da comunidade francesa da chegada do ciclone, o que contribuiu para que "não seja necessário lamentar qualquer perda."

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