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EUA enviarão reforço militar para a Arábia Saudita após ataque a refinaria 

O Pentágono informou que o pedido foi feito pelo reino saudita e aprovado pelo presidente Trump para ampliar a presença militar no reino; número de tropas deve ser anunciado na próxima semana

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2019 | 20h18

WASHINGTON - Os EUA enviarão reforços militares para a Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos após os ataques contra instalações de petróleo que Washington e Riad atribuem ao Irã, anunciou nesta sexta-feira, 20, o secretário de Defesa, Mark Esper. O Pentágono não falou em ataques militares na região, onde já mantém soldados. 

"Em resposta ao pedido do reino (saudita), o presidente Donald Trump aprovou o envio de forças americanas, que vão atuar de forma defensiva", disse o chefe do Pentágono em uma entrevista coletiva. Ele disse que mais detalhes e o número de soldados a ser enviado serão divulgados na próxima semana. 

Em junho, os EUA já tinham anunciado o envio de um reforço de mil militares para o Oriente Médio tendo como pano de fundo a intensificação das tensões com o Irã. Pelo menos 500 deles para uma base militar perto de Riad, capital saudita. 

Segundo um relatório do ano passado do centro de estudos conservador Heritage Foundation, o número estimado de militares americanos no Oriente Médio é hoje de aproximadamente 44,5 mil, contando todas as missões conjuntas do Comando Central com os países da região. O número oficial não é conhecido publicamente por questões de segurança, segundo o Heritage.

Presidente anuncia sanções

Mais cedo, alegando que deseja evitar uma “guerra total”, o presidente americano afastou a possibilidade de uma medida militar imediata contra o Irã em resposta aos ataques. Segundo o presidente, medidas restritivas, como as novas sanções impostas hoje ao sistema bancário iraniano, são uma demonstração de força mais efetiva. 

Os ataques da semana passada intensificaram uma luta de anos entre a Arábia Saudita e o Irã, que estão enredados em uma disputa por influência, às vezes violenta, em vários pontos do Oriente Médio. 

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A Arábia Saudita levou jornalistas hoje para uma visita às instalações petrolíferas atingidas, mostrando os trabalhos de reparo e substituição de peças em tubulações derretidas e equipamentos queimados. 

O governo saudita vê os ataques contra suas unidades petrolíferas de Khurais e Abqaiq – os piores contra infraestruturas de petróleo no Golfo Pérsico desde que o iraquiano Saddam Hussein ateou fogo em poços de petróleo do Kuwait, em 1991 – como um teste da vontade global de preservar a ordem internacional. Segundo a petroleira estatal Aramco, a produção total de petróleo – que ficou reduzida pela metade – será retomada até o fim do mês.

Houthis querem trégua

No Iêmen, os rebeldes houthis anunciaram hoje uma trégua nos ataques contra a Arábia Saudita, mas disseram que esperam uma resposta similar do vizinho. Eles alertaram que responderão se forem atacados pelo reino. E a resposta foi rápida.

No mesmo dia, a coalizão militar comandada pela Arábia Saudita atacou quatro instalações dos houthis ao norte de Al-Hudaydah, área na qual vigorava, desde dezembro, uma trégua entre rebeldes e tropas lideradas pelo presidente deposto do Iêmen, Abdo Rabbo Mansour Hadi. 

Segundo o Ministério da Defesa saudita, as instalações bombardeadas eram usadas pelos houthis para fabricar embarcações não tripuladas e minas marítimas.

Crise no Iêmen ajudou rebeldes

A guerra do Iêmen começou no fim de 2014, quando os rebeldes houthis, aliados do Irã, tomaram a capital Sanaa e depuseram o presidente Mansour Hadi, que desde então está exilado em Riad, na Arábia Saudita. Os sauditas decidiram intervir no confronto em 2015, liderando uma coalizão internacional, da qual fazem parte outros países do Golfo Pérsico, para apoiar o governo de Hadi. 

A guerra tem raízes na Primavera Árabe, onda de protestos populares que tomou o Norte da África e o Oriente Médio em 2011. A revolta derrubou o presidente Ali Abdullah Saleh e deixou o poder nas mãos de seu vice, Hadi, que enfrentou diferentes problemas. O movimento houthi, que defende a minoria xiita zaidi, aproveitou a debilidade do novo governo para ganhar terreno. / NYT, EFE, AFP, AP e REUTERS 

 

 

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