''''EUA erram ao reduzir Al-Qaeda a Bin Laden''''

Para autor de livro sobre grupo islâmico, liderança central deixou de existir após o 11/9

Renata Miranda, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2011 | 00h00

Há seis anos, um grupo de militantes islâmicos seqüestrava simultaneamente quatro aviões em aeroportos americanos. Com antecedência, estudaram e definiram quatro alvos distintos - dois aviões destruíram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e outro atingiu o Pentágono, em Washington. O quarto avião não chegou ao alvo e caiu em Shanksville, Pensilvânia. Assista reportagem sobre os 6 anos do 11 de SetembroMais de 3 mil pessoas morreram no que foi considerado o pior ataque terrorista da história dos EUA. Imediatamente, o governo do presidente americano, George W. Bush, declarou guerra ao terror e empenhou-se na caçada do cérebro por trás dos ataques: o líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden. No entanto, para Jason Burke, autor do livro Al-Qaeda: A verdadeira história do radicalismo islâmico (Jorge Zahar Editor, 358 págs., R$ 49,90), reduzir o problema da Al-Qaeda à figura de Bin Laden foi um dos grandes erros cometidos pelo Ocidente. "Bin Laden não criou o radicalismo islâmico, ele só o divulgou por meio do ataque mais espetacular realizado até agora", afirmou Burke, por telefone, ao Estado.Em seu livro, o repórter britânico do jornal The Observer afirma que a liderança centralizada da Al-Qaeda deixou de existir depois do 11 de Setembro por causa das ações contra o terrorismo. Segundo Burke, o grupo tem hoje diversos braços que atuam independentemente da autoridade central. "A célula de militância da Al-Qaeda é tão importante quanto os outros líderes do grupo espalhados pelo mundo", explica. "Por isso é errado pensar que a morte ou a captura de Bin Laden será a solução do problema."Burke trabalhou como correspondente no Oriente Médio durante uma década cobrindo ações de militantes islâmicos. "Comecei a fazer trabalhos sobre a Al-Qaeda antes de ela virar moda."Em julho, os serviços secretos dos EUA divulgaram um relatório no qual afirmavam que os esforços para expulsar os militantes da Al-Qaeda da região tribal do norte do Paquistão não tiveram êxito. De acordo com o documento, o grupo conseguiu reconstruir suas estruturas de comando e operações. Segundo Burke, o reagrupamento da Al-Qaeda é extremamente perigoso para o Ocidente. "Ela não desistiu de executar atos terroristas em grande escala no Ocidente", explica. "Acontece que a capacidade de realizar essas ações foi limitada por esforços antiterroristas depois do 11 de Setembro."Para o escritor, o governo do Paquistão tem sua parcela de culpa no reagrupamento da organização. No entanto, ele ressalta que mesmo se as autoridades paquistanesas estivessem 100% comprometidas em desmantelar e destruir as bases da Al-Qaeda no país, isso não seria possível. "Imagine um lugar habitado por integrantes de tribos fortemente armados e extremamente simpáticos à rede terrorista que se tenta destruir", disse. "É assim que é, mais ou menos, o lugar onde procuram por Bin Laden e outros integrantes da Al-Qaeda."O jornalista afirma que o fim da rede terrorista ainda está longe de chegar. "A organização vai continuar a se desenvolver e, com o passar dos anos, deve evoluir de maneira mais rápida", conta. "Acredito que, no futuro, veremos mais da ideologia da Al-Qaeda e menos de sua organização."

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