EUA esperam manter cooperação antidroga

O governo americano planeja conversar com o presidente eleito do México, Enrique Peña Nieto, para tratar do combate às drogas na fronteira, mas ainda não há um diálogo aberto sobre o assunto. A secretária de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano, afirmou ontem em Brasília que seu governo não espera grandes mudanças na cooperação, a despeito das severas críticas feitas por Peña Nieto ao atual presidente, Felipe Calderón, durante a campanha eleitoral.

LISANDRA PARAGUASSU , BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2012 | 03h06

Em uma entrevista ontem ao Estado, Napolitano, que faz uma visita de dois dias ao Brasil, afirmou que o objetivo central de desmontar os cartéis de drogas que ocupam hoje o México não mudou.

"O presidente eleito deixou muito claro, durante sua campanha, que continuará atrás dos cartéis. Nós temos um enorme interesse nisso e alguma responsabilidade também. Temos de admitir que a demanda é prioritariamente dos Estados Unidos. Nós entendemos isso", disse Janet. "Acredito que os esforços continuarão. Não antecipo grandes mudanças."

Ela admite que houve muitas críticas do Partido Revolucionário Institucional (PRI), de Peña Nieto, ao modo de operação de Calderón na luta contra as drogas. Desde que o governo mexicano resolveu enfrentar os cartéis das drogas, cerca de 60 mil mexicanos morreram. No entanto, ela garante que, mudando ou não a forma de trabalho dos mexicanos, o objetivo continua o mesmo. "Houve realmente muitas críticas, mas não ao objetivo final. A forma como o governo mexicano tratará o combate às drogas pode mudar, já que estamos continuamente modificando. Portanto, nós vamos trabalhar com o presidente eleito Peña Nieto da mesma forma que trabalhamos com o atual presidente Calderón", afirmou.

A secretária garante que os EUA continuarão a intensificar o policiamento de fronteira, hoje com 20 mil homens trabalhando nos postos de entrada. "Nós precisamos estar prontos para interceptar as drogas antes que elas entrem nos EUA. O presidente (Barack Obama) e nosso Congresso concordaram em pagar por esses esforços, que são caros", disse.

De acordo com a secretária, a estratégia consiste em usar mais cobertura aérea, além de forças em solo, o que torna as equipes americanas mais efetivas.

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