EUA espionaram pelo menos 3 presidentes da França, diz WikiLeaks

O escândalo envolve os ex-chefes de Estado Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy e o atual, François Hollande

Andrei Netto, CORRESPONDENTE

23 de junho de 2015 | 18h29

PARIS - Documentos secretos obtidos pelo WikiLeaks e publicados ontem pelo jornal Libération e pelo site de investigações Médiapart revelaram que a Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) espionou os três últimos presidentes da França pelo menos no intervalo entre 2004 e 2012. O escândalo envolve os ex-chefes de Estado Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy e o atual, François Hollande. Membros de equipes do Palácio do Eliseu também foram alvo de escutas.

Os documentos não revelam grandes segredos de Estado, segundo o Libération, mas mostram a extensão da espionagem no centro de poder de Paris. Além dos presidentes, ministros, secretários e conselheiros especiais, incluindo de áreas sensíveis, como Relações Exteriores, Defesa e Segurança, foram alvo de monitoramento pela NSA – a mesma instituição que vigiou o celular da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e comunicações da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

Classificados como ultrassecretos, os documentos constam de cinco relatórios de análise produzidos pela NSA e compartilhados com a comunidade de espionagem dos Estados Unidos. Dois deles também foram entregues a autoridades de inteligência da Austrália, do Canadá, da Nova Zelândia e da Grã-Bretanha, que compõem o grupo de troca de informações de espionagem conhecido como “Five Eyes”.

Nos despachos produzidos após as escutas, há informações com caráter atual, como as reuniões ministeriais secretas realizadas a pedido de Hollande para debater a possibilidade de saída da Grécia da zona do euro. Esses encontros ocorreram em 2012, poucos dias após sua chegada ao Palácio do Eliseu, e envolveram ainda membros do Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha, que fazia oposição a Merkel.

Os documentos também trazem momentos cômicos, como a constatação de que o ex-presidente Nicolas Sarkozy acreditava ser o único líder político mundial capaz de “resolver” a crise econômica global de 2008.

Consultado sobre o escândalo de espionagem, o governo da França reagiu ontem à noite com moderação. Segundo o Palácio do Eliseu, Hollande e o presidente americano, Barack Obama, firmaram em fevereiro de 2014 um compromisso mútuo de não mais praticar “escutas indiscriminadas envolvendo os serviços de Estado de aliados”.

A reação lacônica do governo francês repete a posição adotada quando ficou claro que a Alemanha, em colaboração com a NSA, espionou o Eliseu.

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