EFE/Olivier Douliery
EFE/Olivier Douliery

EUA estão atingindo o Estado Islâmico 'mais forte do que nunca'

Em discurso no Pentágono, Obama disse que, embora os 'aliados' devam ser 'incansáveis, também devem ser inteligentes e atacar o EI com precisão cirúrgica'

Cláudia Trevisan, correspondente/Washington, O Estado de S. Paulo

14 de dezembro de 2015 | 18h34

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira, 14, que Washington e seus aliados aumentaram o volume de seus ataques contra o grupo Estado Islâmico (EI), a quem passaram a golpear "mais forte do que nunca".

Em discurso no Pentágono, Obama disse que, embora os "aliados" devam ser "incansáveis, também devem ser inteligentes e atacar o EI com precisão cirúrgica".

Segundo o presidente, as forças por terra estão expulsando os combatentes do grupo EI "quarteirão a quarteirão, cidade a cidade". "Estamos realizando golpes mais fortes do que nunca", acrescentou. Os ataques com aviões e "drones" aumentaram e chegaram aos 9 mil.

"Em novembro, projetamos mais bombas contra alvos do EI do que em qualquer outro mês desde o início desta campanha. Estamos eliminando os líderes do EI, seus comandantes e seus assassinos, um a um", expressou.

"Em resumo, os líderes do EI não podem se esconder, e nossa mensagem a eles é simples: vocês são os próximos", ameaçou.

No entanto, Obama admitiu que os progressos nestas iniciativas militares devem "chegar mais rapidamente". "Reconhecemos que os progressos precisam chegar mais rapidamente. Ninguém sabe disso melhor do que os incontáveis sírios e iraquianos que vivem sob o terror do EI", completou o presidente.

Para aumentar ainda mais a precisão e conseguir resultados, Obama anunciou a viagem do secretário americano da Defesa, Ash Cartes, ao Oriente Médio, para conseguir "mais contribuição militar para esse combate".

O presidente Obama também anunciou que o secretário de Estado, John Kerry, viajará à Rússia amanhã para manter contatos diplomáticos "como parte do processo para pôr um ponto final à guerra civil síria".

Como no pronunciamento que realizou no domingo retrasado, o presidente não anunciou mudanças em sua estratégia, mas afirmou que ela está sendo implementada com um “sentido de urgência”. Seus quatro pilares continuam a ser os mesmos: bombardear posições do EI, apoiar e treinar forças locais para o combate, descobrir e anular redes de financiamento e suprimento do grupo e defender um processo de transição política que ponha um fim à guerra civil na Síria.

Enfrentando crescente desconfiança da opinião pública americana em sua habilidade de combater o terrorismo, Obama disse que o EI já perdeu 40% das áreas povoadas que controlava no Iraque e viu seu domínio sobre o território da Síria ser reduzido em “milhares de milhas”. Mas ele ressaltou que a luta continuará a ser “difícil”. 

“Como eu disse antes, o ISIL está entrincheirado, também em áreas urbanas, onde eles se escondem atrás de civis, usando homens, mulheres e crianças indefesas como escudos humanos”, afirmou.

No discurso, Obama anunciou que o secretário de Defesa, Ashton Carter, viajaria ontem para o Oriente Médio com a missão de convencer aliados da região a aumentar suas contribuições militares para a campanha contra o EI, iniciada há pouco mais de um ano.

“Nós reconhecemos que o progresso precisa vir mais rapidamente. Ninguém sabe disso melhor do que os incontáveis sírios e iraquianos que vivem todos os dias sob o terror do ISIL, assim como as famílias de San Bernardino, Paris e em outros lugares que estão em luto pela perda de entes queridos (em atentados)”, afirmou.

O presidente disse ainda que o secretário de Estado, John Kerry, estará em Moscou hoje para discutir a situação da Síria. Os russos são os principais aliados do presidente sírio, Bashar Assad, e começaram a realizar os próprios bombardeios aéreos na Síria no fim de outubro. Enquanto os Estados Unidos defendem a saída de Assad do poder como parte da solução para a crise, Moscou propõe união no combate ao “inimigo comum” – que seria o EI. /COM AFP

Cenário

Estratégia que muda é a de comunicação, não a militar

Os ataques de Paris e San Bernardino não levaram Barack Obama a mudar a estratégia militar de combate ao Estado Islâmico (EI). Com uma opinião pública que passou a apontar o terrorismo como principal preocupação, no entanto, ele decidiu mudar a estratégia de comunicação. Oito dias após falar sobre o assunto em cadeia nacional, Obama foi ao Pentágono para se reunir com comandantes militares. Depois do encontro, voltou a fazer um pronunciamento sobre o assunto. Como no domingo retrasado, não apresentou nada de novo, mas tentou convencer os americanos de que sua estratégia é a mais adequada para derrotar o EI.

Mas há uma desconexão entre o discurso de Obama e o que a população percebe como ameaça. O presidente disse ontem que o EI perdeu 40% do território no Iraque e parte de seu domínio na Síria. Isso ocorreu a milhares de quilômetros, enquanto a ameaça do EI se tornou próxima com os ataques em Paris e San Bernardino.

O tópico subiu ao primeiro lugar no ranking das preocupações dos americanos, mostra levantamento do Gallup divulgado ontem. O terrorismo foi apontado como o principal problema do país por 13%. Há um ano, apenas 3% o viam como o maior problema dos EUA.


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