EUA estão mais perto de pedir saída de Assad da Síria, dizem fontes

Funcionários do governo admitem que governo americano deve mudar postura em breve

Associated Press

10 de maio de 2011 | 19h41

WASHINGTON - O governo de Barack Obama se aproxima cada vez mais de pedir que o presidente da Síria, Bashar al-Assad, deixe o poder, disseram nesta terça-feira, 10, fontes da Casa Branca à agência Associated Press. De acordo com as elas, o primeiro passo seria dizer que o líder sírio perdeu a legitimidade para governar, o que abrira o caminho para pedidos pela saída de Assad.

 

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As fontes afirmaram que uma linha mais dura dos EUA em relação à Síria repercutiria em demandas para uma "transição democrática" do mesmo modo como foi feito na revolução do Egito e como ocorre atualmente com a Líbia. A confrontação direta contra Assad, porém, esbarra em problemas como a divisão entre os países árabes e quão longe os americanos podem respaldar suas palavras com ações.

 

 

Os EUA até agora não adotaram uma posição firme contra a Síria apesar da brutal repressão das tropas do governo contra as manifestações contrárias ao regime de Assad, que já dura 12 anos. Ativistas dizem que mais de 750 pessoas morreram nos conflitos com as forças de segurança após os protestos por reformas democráticas e mais liberdade política. O governo de Damasco é considerado um dos mais rígidos do Oriente Médio.

 

A postura americana, embora seja menos dura que o esperado, tem mudado nos últimos dias. Nesta terça, o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, repetiu o discurso anterior e disse que são necessárias reformas, mas admitiu que o tempo de Assad está se esgotando. "Pedirmos ao governo que pare de disparar contra os manifestantes, que permita marchas pacíficas e cesse as prisões arbitrárias para iniciar um diálogo pacífico", completou.

 

As fontes, que pediram anonimato, afirmaram que Assad praticamente enterrou as esperanças de que haverá reformas ao renovar a repressão depois de suspender uma lei de emergência vigente há décadas. "Estamos chegando perto" de questionar a legitimidade do presidente sírio, disse uma delas. Segundo a fonte, tal passo faria com que os EUA e o resto do mundo tomassem atitudes concretas contra o regime. "Precisamos nos dar conta de o que falarmos deve corresponder ao que podemos fazer", concluiu.

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