EUA estão perdendo influência no processo de paz

Análise: Helene Cooper e Steven Myers

SÃO REPÓRTERES DO NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2011 | 03h02

Diante do fracassado esforço para impedir que os palestinos solicitem uma cadeira na ONU, os EUA defrontam-se com a perspectiva de ter de compartilhar, ou até mesmo ceder, a influência que exercem há décadas como arquitetos do processo de paz no Oriente Médio. Um exemplo disso foi o discurso do presidente francês, Nicolas Sarkozy, na Assembleia-Geral na quarta-feira. Ele fez um enérgico repúdio à posição americana no conflito, depois que Obama apresentou sua defesa do processo de paz na abertura do encontro.

Em todas as iniciativas de paz no Oriente Médio, os três principais elementos sempre foram os palestinos, Israel e os EUA.

Mas a expansão dos assentamentos na Cisjordânia e o endurecimento das atitudes do premiê Binyamin Netanyahu isolaram Israel e Washington. Além disso, a dissensão entre as facções palestinas comprometeu a perspectiva de um novo acordo. Finalmente, a política interna americana limitou a capacidade de Obama de tentar romper o impasse, impedindo-o de se distanciar aparentemente de Israel.

Em busca dos votos de judeus que no passado apoiavam os democratas, os republicanos passaram a criticar o presidente.

O processo de paz no Oriente Médio está estagnado há dois anos e meio, o que frustrou os árabes e muitos líderes mundiais. Agora, eles estão dispostos a tentar uma alternativa para a estratégia americana. O resultado do pedido palestino de adesão continua incerto. O governo americano ainda espera que o processo de análise dele no Conselho de Segurança possa representar uma nova oportunidade para o início das conversações.

Essa medida coloca mais pressão sobre Netanyahu, que já vacila por causa das questões de segurança trazidas pela primavera árabe, com consequências que os analistas consideram difíceis de prever.

Um rápido retorno ao status quo, quando os EUA ditavam os termos das negociações, parece improvável, considerando o apoio russo e francês à estratégia palestina. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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