EUA estão sem saída no Iraque, diz historiador

A união cada vez mais clara dos xiitas com os sunitas e a crescente e mortal reação da população iraquiana às tropas invasoras estão deixando os Estados Unidos sem saída naquele país, segundo a avaliação do historiador Francisco Carlos Teixeira, professor de História Contemporânea na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entrevistado no Jornal das Dez, da Globo News, ele acentuou que o governo George W. Bush gostaria de acreditar que todos os problemas existentes no Iraque eram derivados das tropas remanescentes de Saddam Hussein e de agentes infiltrados da Al-Qaeda. "O que a gente está vendo, com caráter de massa, como nos levantes mostrados pela TV, é que tem muita resistência popular, inclusive de unidade nacional, contra a ocupação americana", disse Teixeira. Ou seja, não dá mais para a Casa Branca continuar se iludindo em relação à invasão.Devolução do poderSobre a transferência do poder aos iraquianos, prevista para o final de junho, o professor da UFRJ disse que a nova situação pode atrasar o calendário, embora ela servisse para reduzir o motivo da revolta. "Mas ocorre que este Conselho de Estado que foi montado não se identifica de maneira alguma com as tropas que estão lutando, e (seus membros) já foram considerados pelos insurgentes como traidores. Então, na verdade, não há legitimidade, do ponto de vista da resistência, neste Conselho.""Caixa de malefícios"Para Francisco Carlos Teixeira, a derrubada do regime de Saddam Hussein abriu uma "caixa de malefícios". "Era ruim com Saddam Hussein e está sendo ruim sem Saddam Hussein!, afirmou. "Sem dúvida nenhuma, teve como positivo livrar o país de uma ditadura como era a de Saddam Hussein. Mas o plano para o dia seguinte, sem dúvida nenhuma falhou."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.