EUA estudam ação militar no Iraque

Assessor do presidente Barack Obama não descarta intervenção em caso de risco a funcionários americanos que trabalham no país

CLAUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2014 | 02h03

A porta para uma ação militar dos EUA no Iraque continua "aberta" e será cruzada se houver aumento da ameaça terrorista representada pelo Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês) ou risco a funcionários americanos que atuam no país, afirmou ontem Ben Rhodes, assessor direto do presidente Barack Obama para questões de política externa.

Ao mesmo tempo, Rhodes condenou intervenções militares do Irã e da Síria no Iraque, sob o argumento de que elas agravam as divisões sectárias que estão na origem dos conflitos enfrentados pelo país. "O Irã deveria usar sua influência para encorajar um processo inclusivo de formação de governo no Iraque", ressaltou Rhodes, que é vice-conselheiro de Segurança Nacional.

Os dirigentes iranianos e iraquianos integram o grupo xiita, que é combatido pelos sunitas do Isil. Em entrevista em Washington, Rhodes elogiou a decisão da Arábia Saudita, de maioria sunita, de doar US$ 500 milhões em ajuda humanitária ao Iraque.

Há duas semanas, os EUA anunciaram que 300 militares americanos iriam aconselhar as forças de segurança iraquianas no conflito. A partir da Síria, o grupo avançou sobre o norte do Iraque e tomou a segunda maior cidade do país, Mossul.

Em outro esforço para tentar conter a ação do Isil, Obama pediu ao Congresso, na quinta-feira, a liberação de US$ 500 milhões para a oposição moderada da Síria. O governo resistia a dar o apoio pelo temor de que equipamentos militares caíssem nas mãos de grupos islâmicos radicais, como o Isil.

Segundo Rhodes, os EUA hoje conhecem melhor a oposição síria e tem "confiança" nas pessoas para as quais a ajuda será direcionada. O objetivo é fortalecer a oposição na luta contra o Isis e o regime de Bashar Assad. "Esses problemas são interconectados. Enquanto Assad estiver no poder, teremos áreas de caos e instabilidade no país."

Hossein Amir-Abdollahian, vice-chanceler do Irã, afirmou ontem que seu país poderá fornecer armas ao Iraque - para a luta que o premiê xiita, Nuri al-Maliki, trava contra os insurgentes do Isil, que tomaram grandes partes do território iraquiano nas últimas semanas e fundaram um califado islâmico na região. Segundo Abdollahian, porém, Teerã não planeja enviar tropas para a nação vizinha.

No mesmo dia, a ONU informou que ao menos 2.417 iraquianos foram mortos em junho em "atos de violência e terrorismo", após a ofensiva dos insurgentes sunitas. Segundo os dados,1.531 vítimas eram civis - e 2.287 pessoas ficaram feridas.

O governo iraquiano tem se voltado cada vez mais para países como Irã, Rússia e Síria, pedindo auxílio para combater os sunitas do Isil por não poder esperar que os EUA enviem mais ajuda militar. A informação é do embaixador do Iraque em Washington, Lukman Faily. "O tempo não está do nosso lado. Mais atrasos só beneficiam os terroristas", disse o diplomata.

O líder do Isil, Abu Bakr al-Baghdadi, conclamou ontem jihadistas de todo o mundo para se juntar à sua organização para ajudar na construção de uma nação no território conquistado no Iraque e na Síria. Em gravação de áudio de 19 minutos, Baghdadi fez seu chamado aos militantes se apresentando como líder de todos os muçulmanos - o que, segundo analistas, pode ofuscar a proeminência do comandante da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, como jihadista mais influente atualmente.

Ontem, a primeira sessão do novo Parlamento iraquiano, desde sua eleição, em 30 de abril, encerrou-se ontem menos de duas horas após ter começado. Parlamentares das minorias sunita e curda abandonaram o local, diminuindo a esperança da formação de um novo governo. / COM AP e REUTERS

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