EUA estudam ampliar ações militares no Paquistão

Assessores sugerem a Obama bombardear refúgios de rebeldes taleban na Província do Baluquistão

, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2009 | 00h00

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seus assessores de Segurança Nacional consideram ampliar os bombardeios americanos contra alvos do Taleban no Paquistão para além das áreas tribais na fronteira com o Afeganistão.O objetivo seria lançar ofensivas contra um importante refúgio dos grupos radicais na cidade de Quetta ("fortaleza", no idioma pashtun), capital da província paquistanesa do Baluquistão, onde, segundo a inteligência americana, grupos extremistas atuam longe do controle do governo local.De acordo com uma reportagem publicada ontem pelo jornal americano The New York Times, a nova estratégia teria sido sugerida por assessores de Obama em pelo menos dois relatórios enviados nas últimas semanas à Casa Branca.Com o novo plano, os militares esperam aumentar a eficácia das operações contra os grupos insurgentes. Eles também estudam a possibilidade de realizar incursões mais profundas no território paquistanês, para capturar combatentes que cruzam a fronteira em busca de refúgio.Por outro lado, teme-se que o aumento da ofensiva possa prejudicar as relações dos EUA com o governo paquistanês, que já se mostrou insatisfeito com os ataques com mísseis lançados por aviões não-tripulados americanos contra grupos insurgentes nas áreas tribais.INCURSÕESSegundo a reportagem, assessores militares do governo americano estariam pressionando Obama desde sua chegada à Casa Branca para que ele mantenha a ordem dada por George W. Bush e prossiga com os ataques aéreos e incursões de comandos em território paquistanês, apesar dos protestos de Islamabad.Um funcionário de alto escalão do governo americano disse ao New York Times, sob condição de anonimato, que "há um amplo acordo para dar continuidade às operações secretas" . Segundo ele, "um dos fundamentos sobre os quais as recomendações ao presidente estão fundamentadas é o de que é preciso combater os refúgios" dos insurgentes.Obama reuniu-se com seus assessores na terça-feira, em Washington, mas ainda não teria tomado nenhuma decisão sobre a nova estratégia. Espera-se que o presidente americano continue ouvindo as opiniões de especialistas antes de anunciar uma decisão nos próximos dias.

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