EUA estudam atacar outra vez radicais islâmicos, que exibem nova matança

Ameaça extremista. Grupo Estado Islâmico cerca Amerli, cidade de 15 mil habitantes - na maioria, turcomanos xiitas - no Iraque, e população vive drama parecido com o dos yazidis, que resistiram nas Montanhas Sinjar graças ao apoio militar de Washington

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / IRBIL, IRAQUE, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2014 | 02h04

No mesmo dia em que imagens divulgadas pelos radicais do grupo Estado Islâmico sugerem a execução de soldados sírios após a captura de uma base no nordeste da Síria, os EUA estudavam ontem realizar uma segunda operação humanitária no Iraque, dessa vez para livrar habitantes de Amerli, uma pequena cidade 170 km ao norte de Bagdá, cercada há dois meses pelo EI.

Moradores de Amerli, cidade de cerca de 15 mil pessoas, habitada por turcomanos xiitas, resistem ao avanço dos jihadistas, mas estão sem receber munição, água e alimentos.

Assim como foi feito em relação à minoria yazidi nas Montanhas de Sinjar, a operação envolveria o bombardeio de posições do EI, juntamente com a entrega de água e alimentos, despejados por aviões, segundo funcionários do Departamento de Defesa, citados por jornais americanos.

Moradores da cidade, que fica do lado iraquiano da divisa com o Curdistão, disseram pelo telefone a repórteres que não recebiam ajuda das milícias xiitas porque não são árabes, nem dos EUA, porque são muçulmanos. Os yazidis, socorridos pelos EUA, são uma minoria curda que professa uma religião secreta, que mescla islamismo, cristianismo e zoroastrismo.

Com os bombardeios americanos e a ajuda de guerrilheiros curdos da Turquia, dezenas de milhares de yazidis conseguiram chegar a cidades do norte do Iraque sob controle dos curdos, onde estão acampados, e outras dezenas de milhares ainda estão nas montanhas.

Os homens que defendem Amerli afirmam que sua munição está acabando e temem um massacre.

Sírios. Fotos publicadas pelo EI em redes sociais exibiam ontem a imagem de entre oito e dez soldados sírios executados após um ataque à base aérea de Tabqa, na cidade síria de Raqqa. No ataque teriam morrido cerca de 500 combatentes dos dois lados, segundo o grupo de monitoramento Observatório Sírio de Direitos Humanos. Especialistas não puderam confirmar imediatamente a autenticidade das imagens.

Em represália aos bombardeios para proteger os yazidis, o EI divulgou na internet a decapitação do jornalista americano James Foley e ameaça executar outro, Steven Sotloff. A mãe dele, Shirley Sotloff, fez ontem um apelo ao líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, para que solte seu filho. Sequestrado em agosto de 2013 em Alepo, no norte da Síria, Sotloff aparece no final do vídeo da decapitação de Foley. Um homem encapuzado diz que a vida dele depende da decisão do presidente Barack Obama de pôr fim aos ataques.

"Como mãe, peço que sua justiça seja misericordiosa e não puna meu filho por questões sobre as quais ele não tem controle", apela Shirley, num vídeo. "Peço-lhe que use sua autoridade para poupar a vida dele e seguir o exemplo do Profeta Maomé, que protegeu povos do livro", recordou ela, usando uma referência que os muçulmanos fazem a cristãos e judeus, povos monoteístas que seguem o Velho e o Novo Testamento.

No ano passado, o EI havia exigido 100 milhões (o equivalente a R$ 300 milhões) para soltar Foley, capturado em novembro de 2012 na Síria.

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