EUA estudam dar visto para ditador iemenita

Decisão sobre permissão para que Saleh viaje para tratamento de saúde em Nova York será tomada nos próximos dias

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2011 | 03h02

Os EUA ainda estudam se autorizarão a viagem do líder iemenita Ali Abdullah Saleh a Nova York para tratamento médico, facilitando a sua saída definitiva do poder em Sanaa. Autoridades iemenitas, por sua vez, afirmavam ontem que os americanos já tinham concordado em emitir o visto.

Em Honolulu, onde o presidente Barack Obama passa as férias de fim de ano, o porta-voz Josh Earnest negou as afirmações de que o visto já teria sido concedido. "O governo dos EUA continua analisando o pedido do presidente Saleh para entrar no país apenas para tratamento médico. Mas não é verdade que uma decisão tenha sido tomada", disse, ressaltando que não haverá concessão de asilo político.

Os iemenitas ligados a Saleh foram surpreendidos com a declaração do porta-voz. "Fomos informados pela embaixada americana de que o visto tinha sido concedido. Eles nos ligaram e confirmaram, pedindo ainda a data da viagem e o itinerário", afirmou Sultan al-Barakani, um dos principais assessores de Saleh.

Após quase um ano de protestos, o líder iemenita, na sexta-feira, finalmente transferiu seus poderes para o vice-presidente. Em seguida, anunciou que pretendia partir para os EUA esta semana, onde se trataria de ferimentos causados em ataque contra ele em junho. Ele passou três meses em recuperação na Arábia Saudita antes de voltar para Sanaa.

Segundo autoridades americanas, mesmo se o visto for concedido, será apenas para tratamento médico. No passado, os EUA concederam permissão para uma série de líderes estrangeiros, incluindo o herdeiro da coroa saudita, que morreu em novembro em Nova York. Desta vez, um dos temores dos EUA é que a população do Iêmen se revolte contra os americanos caso o visto seja concedido. O xá Reza Pahlavi, depois de deposto pela Revolução Islâmica do Irã, em 1979, também buscou refúgio no território americano para tratamento médico, irritando o governo iraniano.

Ao mesmo tempo, alguns membros do governo americano afirmam que a vinda de Saleh facilitaria a transição no Iêmen. Ele vinha sendo considerado por Washington um dos principais obstáculos para a estabilidade em Sanaa.

Mesmo os opositores iemenitas veem lados negativos e positivos na viagem de Saleh. "Estamos diante do dilema entre o nosso desejo de vê-lo partir, evitando uma guerra civil, e o desejo de vê-lo julgado por seus crimes", afirmou Samia al-Aghbari, uma das líderes dos protestos.

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