EUA estudam enviar drones à Nigéria

Washington analisa possibilidade de usar aviões não tripulados para localizar meninas sequestradas pelo grupo islâmico Boko Haram

AP, EFE e Reuters, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2014 | 02h01

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, disse ontem que o sequestro de 276 meninas na Nigéria pelo grupo radical islâmico Boko Haram mostra os impulsos mais obscuros da humanidade. O governo americano estuda usar drones para encontrar as reféns. Para o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, o sequestro das meninas marcará o "começo do fim" do terrorismo em seu país.

"Se olharmos para as manchetes de hoje: guerra civil na Síria, sequestro e assassinatos na Nigéria, conflitos sectários e tribais, veremos que ainda não extinguimos os impulsos mais obscuros da humanidade", afirmou Obama ao aceitar um prêmio da Shoah Foundation - museu em memória das vítimas do Holocausto criado pelo diretor de cinema Steven Spielberg. "Nenhuma dessas tragédias se equipara aos horrores do Holocausto, mas não podemos ignorá-las. Temos de agir mesmo onde haja ambiguidades."

Em Abuja, capital nigeriana, Jonathan ressaltou que o envolvimento e a ajuda da comunidade internacional representam o que ele define como a derrocada do Boko Haram. "Acredito que o sequestro dessas estudantes será o começo do fim do terrorismo na Nigéria", afirmou o presidente durante Fórum Econômico Mundial sobre a África, que reúne líderes mundiais desde quarta-feira na cidade.

Também na Nigéria, o embaixador americano James Estwistle reuniu-se com autoridades locais para discutir meios para libertar as reféns, sequestradas em 14 de abril em uma escola de Chibok, no norte do país - 223 permanecem reféns. Ele admitiu ao jornal nigeriano This Day que aviões não tripulados podem ser usados.

"Ontem (quarta-feira), conversei com alguns funcionários para tratar desses detalhes", disse o embaixador. "Evidentemente, não posso dar mais detalhes, mas devemos envolver várias agências nisso." Outros países como China, França e Grã-Bretanha também ofereceram ajuda para libertar as meninas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, telefonou ontem para o presidente nigeriano para expressar sua "profunda preocupação" com a situação das meninas sequestradas e transmitir solidariedade para a população do país, em especial para os parentes das vítimas.

Ban disse que atentados contra crianças e escolas, como os realizados pelo Boko Haram, "vão contra o direito internacional e não podem ser justificados em nenhuma circunstância". Um porta-voz de Ban confirmou que um enviado da ONU irá à Nigéria para discutir com as autoridades a melhor maneira de apoiar os esforços para resgatar as estudantes.

Campanha. O Vaticano também condenou os sequestros e exigiu a libertação das meninas para que elas "retomem suas condições normais de vida".

Ao redor do mundo, cresceu a ontem campanha pela libertação das estudantes. A primeira-dama americana, Michelle Obama, publicou em sua conta no Instagram uma foto com o cartaz "Bring Back Our Girls" ("Devolvam nossas meninas", em português), hashtag que está sendo usada em redes sociais para pedir a libertação das reféns.

A jovem paquistanesa Malala Yousafzai, vítima de um ataque do Taleban, em 2012, disse que as meninas nigerianas sequestradas "são suas irmãs". "Quando vi que elas tinham sido sequestradas, me senti na obrigação de falar", disse. "Eles (o Boko Haram) não usam corretamente o nome do Islã, porque o Islã significa paz."

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