EUA estudam impor zona de exclusão aérea

Enquanto preparam o envio de armas e munições aos rebeldes sírios, os EUA analisam a adoção de uma zona de exclusão aérea sobre a Síria, que teria como base a Jordânia. A medida teria a função de proteger os campos de refugiados e rebeldes em treinamento. Ben Rhodes, conselheiro de Segurança Nacional, disse que a Casa Branca ainda não decidiu nada sobre o tema.

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2013 | 02h06

Autoridades do governo americano confirmaram os estudos sobre a zona de exclusão aérea, cuja implementação demoraria um mês a um custo seria de US$ 50 milhões por dia. O projeto demandaria apoio de navios de guerra no Mediterrâneo e no Mar Vermelho.

Os passos mais agressivos dos EUA na Síria - o envio de armas letais aos rebeldes e a possível zona de exclusão - foram anunciados como resposta da Casa Branca ao uso de armas químicas pelo governo de Bashar Assad. Esses ataques foram confirmados pelas agências de inteligência americanas, segundo Rhodes, na quinta-feira.

A decisão da Casa Branca será discutida na reunião do G-8, na semana que vem, na Irlanda do Norte, onde Obama terá uma conversa reservada com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Tradicional aliado dos EUA, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, apoiou a decisão americana. O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, afirmou que seu país "está pronto para discutir com EUA, França e outros países uma resposta forte, determinada e coordenada da comunidade internacional".

O porta-voz da chancelaria francesa, Philippe Lalliot, lembrou que é preciso uma aprovação do Conselho de Segurança da ONU para a imposição de uma zona de exclusão aérea na Síria. Paris, segundo ele, já tomou sua decisão de armar os rebeldes sírios, assim como Londres.

Os EUA, porém, acreditam que uma zona de exclusão aérea "limitada" possa ser adotada sem o aval da ONU. As restrições aéreas seriam impostas desde uma nova base militar americana na Jordânia, a 40 quilômetros da fronteira com a Síria, em condições de atingir as instalações da Força Aérea de Assad em caso de decolagem de aviões militares.

Ontem, Rhodes informou que o armamento americano já está "a caminho da oposição" síria, mas não quis mencionar qual tipo nem como os EUA evitarão o acesso de grupos extremistas rebeldes a essas armas. Os dissidentes pedem especialmente armas e equipamentos pesados, como os mísseis antitanques. "Esperamos conseguir as armas e munições de que precisamos em breve", afirmou o general Salim Idris, comandante do Exercito Livre Sírio.

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