Manaure Quintero / Bloomberg
Manaure Quintero / Bloomberg

EUA estudam incluir Venezuela em lista de patrocinadores do terrorismo internacional

Motivo seriam as supostas ligações de Caracas com organizações como o Hezbollah e as desmobilizadas Farc, segundo o jornal ‘The Washington Post’

O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2018 | 11h36

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos está estudando incluir a Venezuela na lista de países patrocinadores do terrorismo internacional por suas supostas ligações com organizações como o Hezbollah e as desmobilizadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), segundo o jornal The Washington Post.

A lista, composta até o momento por Irã, Coreia do Norte, Síria e Sudão, está reservada aos países que apoiaram "atos de terrorismo internacional em reiteradas ocasiões" e acarretará sanções severas.

Cuba também fez parte do grupo - por seus supostos vínculos com as Farc e com a organização terrorista basca ETA - entre 1982 e 2015, ano no qual o governo de Barack Obama a retirou da lista, em meio ao processo de aproximação entre os dois países.

Segundo o Post, que cita funcionários sob condição de anonimato e e-mails trocados entre funcionários do governo, o Departamento de Estado, responsável pela lista, já questionou outras agências do governo sobre sua opinião com relação à inclusão da Venezuela.

As fontes citadas pelo jornal não revelaram se Trump já tomou a decisão, que entre outras coisas poderia implicar um embargo ao petróleo venezuelano.

Alguns republicanos, como o senador Marco Rubio, acusaram o governo de Nicolás Maduro de ter ligações com o terrorismo internacional e defenderam a inclusão da Venezuela na lista. No entanto, as consequências que esta decisão teria para o setor petroleiro fizeram com que outros republicanos de Estados com refinarias, como o Texas e a Louisiana, rejeitassem a medida.

Além disso, especialistas questionam os supostos vínculos da Venezuela com organizações terroristas internacionais. "Suspeito que isto (a inclusão na lista) se baseará em rumores e fontes de integridade questionáveis", afirmou ao Post David Smilde, do centro de estudos Escritório de Washington na América Latina (WOLA).

A designação da Venezuela como país patrocinador do terrorismo poderia prejudicar a legitimidade internacional da lista, destacaram analistas consultados pelo jornal.

Desde a sua chegada à Casa Branca há quase dois anos, Trump endureceu a estratégia americana contra a Venezuela, incluindo sanções econômicas ao próprio Maduro, à sua mulher, Cilia Flores, e à sua vice-presidente, Delcy Rodríguez, entre outros funcionários próximos ao líder chavista.

O presidente americano também deixou aberta a porta para uma intervenção militar no país caribenho e, segundo o Post, funcionários do seu governo se reuniram em várias ocasiões com militares venezuelanos interessados em promover um golpe contra Maduro. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.