EUA estudam medidas para pressionar Venezuela após detenção de opositor

Reação. Departamento de Estado americano diz que Casa Branca não apoia transições políticas por meios não constitucionais e continua sendo o maior parceiro comercial dos venezuelanos; Washington manifesta preocupação com escalada de intimidações

O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 02h03

WASHINGTON - Os EUA declararam ontem que os departamentos de Estado e do Tesouro analisam o uso de "ferramentas" para lidar com o governo da Venezuela em reação à prisão do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, na quinta-feira. O governo americano disse estar "profundamente preocupado" com a "escalada de intimidação" contra opositores no país.

Por sua vez, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, voltou a acusar Washington de estar por trás de um plano golpista contra seu governo. Em vários tuítes, publicados em inglês e em espanhol, a secretária de Estado adjunta dos EUA para América Latina, Roberta Jacobson, afirmou que Washington tem pedido "sistematicamente" ao governo venezuelano que liberte "os que foram encarcerados injustamente" e melhore "o respeito aos direitos humanos" no país.

"Estamos profundamente preocupados pelo que parece ser uma escalada de intimidação da oposição por parte do governo da Venezuela", tuitou Roberta. "A única maneira de resolver os problemas da Venezuela é por meio do diálogo entre os venezuelanos, não tentando silenciar críticas." Segundo ela, "a região também deve trabalhar para assegurar que o governo da Venezuela cumpra seu compromisso comum com a democracia".

As declarações foram uma resposta às críticas de Maduro. "O governo dos EUA sai em defesa dos golpistas na Venezuela de maneira direta, pretende impunidade para seguir seu plano", declarou Maduro. "Estamos desmantelando um golpe promovido pelos EUA. Alerto a governos e povos do mundo, já basta de abusos imperiais."

"Os EUA não apoiam transições políticas por meios não constitucionais", rebateu a porta-voz do Departamento de Estado americano, Jen Psaki, em um comunicado. "Os EUA não estão promovendo instabilidade na Venezuela nem estão tentando minar a economia da Venezuela nem seu governo. Continuamos sendo o maior parceiro comercial da Venezuela."

O governo venezuelano afirma que Ledezma, de 59 anos, foi preso por envolvimento em uma suposta tentativa de golpe, denunciada por Maduro no dia 14. Também foi acusado de participar do plano golpista o deputado opositor Julio Borges - do partido Primero Justicia, cuja imunidade parlamentar é alvo de discussões na Assembleia Nacional, de maioria chavista - e a ex-deputada María Corina Machado, cassada em março. Para Caracas, os EUA também estão por trás da tentativa de golpe. O Ministério Público informou que Ledezma será indiciado por "organizar e executar" atos violentos contra o governo.

A ONG Anistia Internacional emitiu um comunicado ontem no qual qualificou a prisão de Ledezma de "sumamente preocupante". "É inaceitável que indivíduos sejam detidos sem evidência admissível de que tenham cometido algum delito", disse a Anistia.

"A única esperança que nos resta são reações firmes por parte da comunidade internacional ante o governo atual (da Venezuela), que sente que pode continuar cometendo esse tipo de injustiça e arbitrariedade toda vez que queira", disse o diretor para as Américas da ONG Human Rights Watch, José Miguel Vivanco.

O opositor Henrique Capriles - governador de Miranda, que perdeu eleições presidenciais para Hugo Chávez, em 2012, e para Maduro, em 2013 - qualificou a prisão de Ledezma como um "sequestro". / REUTERS, AFP e EFE

Tudo o que sabemos sobre:
VenezuelaAntonio Ledezma

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.