EUA estudam posição do radar de escudo antimíssil em Praga

Um grupo de especialistas dos Estados Unidos desembarcou nesta segunda-feira, 2, em Praga, capital da República Checa, para estudar as condições de posicionamento de um radar, o qual é parte do escudo antimíssil que Washington pretende instalar no Leste Europeu.O grupo, composto por cinco membros da Agência de Defesas contra Mísseis dos EUA, começarão as análises e estudos das condições eletromagnéticas em uma área militar na terça, 3, afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa checo Petr Sykora.Na última semana, o governo de Praga concordou em iniciar as negociações com os EUA sobre a construção do radar. A instalação faz parte do escudo antimíssil que Washington pretende construir para, segundo o governo americano, evitar um possível ataque do Irã ou da Coréia do Norte.Os EUA ainda pretendem construir 10 interceptores de mísseis nas regiões próximas às Polônia, que, assim como a República Tcheca, passaram a fazer parte da Otan depois de serem desmembrados da União Soviética.NegociaçõesNa última semana, a Rússia, aborrecida com as negociações de Washington com Varsóvia e Praga, antiga zona de influência de Moscou, denunciou uma volta ao espírito da Guerra Fria. Na mesma semana, o presidente francês, Jacques Chirac, também reprovou a iniciativa americana, alegando que a construção do escudo antimísseis ameaçava reproduzir na Europa as tensões da Guerra Fria.Apesar dessas divergências, funcionários da Otan afirmam que Washington seguirá adiante com seus planos e que, embora o sistema estivesse delineado para proteger os Estados Unidos, muitos países da Europa ocidental e central sairiam beneficiados.Os países da Otan e a Rússia pretendem discutir o projeto no próximo dia 19 de abril.De acordo com pesquisas recentes, a população tcheca se opõe ao plano por achar que isso poderia colocar em xeque, de alguma forma, as relações diplomáticas da república Tcheca com a Rússia e outros países.O primeiro-ministro Mirek Topolanek afirmou que o governo pretende desenvolver o sistema em cooperação com a Otan. Líderes poloneses ainda questionam se a Otan deveria se envolver no processo.Divisão na OtanO secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, adverte do perigo de que haja uma divisão dentro da organização, entre países que estariam cobertos pelo sistema antimísseis projetado pelos EUA e outros membros que ficariam desprotegidos frente a um eventual ataque iraniano.Fontes da Otan afirmam que o programa protegeria quase toda a Europa, mas não o sudeste do continente, que precisaria de um sistema adicional de mísseis de alcance mais curto, devido a sua proximidade ao Irã."Quando se trata de defesa frente a mísseis, não deveria haver na Otan uma primeira e uma segunda divisão. Para mim, o caráter indivisível da segurança é o princípio mestre", afirmouOs funcionários argumentam que seria factível e viável economicamente ampliar a proteção para países como Grécia, Turquia e Itália, que estariam expostos de outro modo a um eventual ataque no início da próxima década.Um relatório de dez mil páginas elaborado pela Otan no ano passado chegou à conclusão de que um sistema antimísseis na Europa baseado no projeto americano seria viável.

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