EUA estudam retomar pressão por democracia

Com seus aliados enfrentando dificuldades de Sanaa ao Cairo, a administração de Barack Obama começa a estudar adoção da agenda da liberdade para a democratização do mundo árabe, lançada e abandonada pelo ex-presidente George W. Bush em meados da década passada. A avaliação é de analistas que têm acompanhado os acontecimentos na Tunísia e no Egito.

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2011 | 00h00

Tirando esse breve período em que o governo passado levantou a bandeira da democracia na região, "o combate ao radicalismo islâmico, o apoio ao processo de paz entre israelenses e palestinos e o petróleo" determinaram a forma como os EUA se relacionariam com os países da região, de acordo com Michael Colins, do Instituto de Oriente Médio, em Washington.

No primeiro grupo, encaixam-se nações como o Egito, o Iêmen, a Tunísia e a Argélia. Todos lutam contra organizações extremistas, como a Irmandade Muçulmana, ou terroristas, como a Al-Qaeda.

Catar, Kuwait e Arábia Saudita são mais importantes pelo petróleo. E o Egito, mais uma vez, assim como a Jordânia, contam com o apoio americano por terem acordos diplomáticos com Israel.

Essa política para a região fracassou na avaliação do governo Obama. Em viagem ao Golfo Pérsico que coincidiu com a remoção de Ben Ali do poder na Tunísia, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse a líderes árabes que "esses que se prendem ao status quo talvez consigam evitar o impacto desses problemas (revolta da população) por algum tempo, mas não para sempre".

Ontem, ela pediu reformas políticas no Egito. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, ao comentar os acontecimentos desta semana no Cairo, disse que o regime de Mubarak colaborou em questões importantes para a região, mas chegou a hora de realizar reformas internas. Nas palavras da diplomacia americana, Mubarak tem de "fazer mais do que simplesmente embaralhar novamente as cartas".

"Os protestos levaram a administração de Obama de volta à agenda da liberdade de Bush", em defesa da democracia no mundo árabe, de acordo com Robert Danin, do Council on Foreign Relations, em Nova York.

O dilema dos Estados Unidos, de acordo com analistas, é defender a democratização desses países sem que os governos emergentes sejam contrários aos interesses americanos na região, conforme ocorreu com a vitória do Hamas nas eleições palestinas, o fortalecimento de grupos pró-Irã no Iraque e um governo libanês com enorme influência do Hezbollah.

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