REUTERS/Andres Martinez Casares
REUTERS/Andres Martinez Casares

EUA estudam sanções que afetariam os títulos da Venezuela

Um medida que está sendo considerada bloquearia o comércio de títulos do governo e da estatal Petroleos de Venezuela (PDVSA) lastreados em dólares

O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2017 | 17h40

WASHINGTON - Os EUA estão preparando nova rodada de sanções para punir o governo da Venezuela e uma possível medida em estudo seria afetar as habilidades do país de se financiar, indicaram duas fontes próximas às negociações. 

 Os próximos passos da campanha para pressionar o presidente Nicolás Maduro ainda estão sendo debatidos e nenhuma decisão foi tomada. O presidente Donsld Trump está fora de Washington e as conversações estão ocorrendo entre os departamentos de Estado e de Tesouro.

Um medida que está sendo considerada bloquearia o comércio de títulos do governo e da estatal Petroleos de Venezuela (PDVSA) lastreados em dólares, disse outra fonte. As duas pessoas falaram em condição de anonimato, pois as ações ainda estão sendo estudadas.

 

Os EUA estão ampliando as sanções contra funcionários venezuelanos e pessoas ligadas a Maduro e a seu governo socialista em meio a uma profunda recessão e meses de violentos protestos. O secretário de Estado, Rex Tillerson, qualificou Maduro de ditador por prender líderes da oposição e formar uma Assembleia Constituinte para revisar a Carta Magna.

O vice-presidente Mike Pence está aplicando outra forma de pressão. Ele se reunirá nesta sexta-feira com exilados venezuelanos na Flórida. O senador republicano Marco Rubio, da Flórida, que também se reunirá com Pence, está pressionando o governo Trump a adotar ações mais agressivas contra o governo de Maduro. O vice-presidente americano fez várias visitas este mês a países latino-americanos para discutir novas medidas que poderiam ser tomadas.

Maduro disse na quinta-feira que está preparado para qualquer sanção dos EUA e o governo Trump está tentando criar "um bloqueio financeiro" contra a nação sul-americana. Ele qualificou as relações com os EUA as piores da história.

As sanções adotadas nas últimas semanas contra Maduro e membros de seu gabinete provocaram preocupações entre os investidores sobre possíveis punições mais duras contra a nação. A Venezuela e a PDVSA devem pagar US$ 3,53 bilhões em títulos em outubro e novembro.

Títulos do Tesouro e da petrolífera estatal caíram na quarta-feira, após o Wall Steet Journal informar que os EUA estavam considerando restringir  a compra e a venda desses títulos.

  

O estrategista Victor Fu said disse em um comunicado que um veto ao comércio de títulos da Venezuela e da PDVSA seria "impraticável", pois prejudicaria mais as instituições financeiras americanas do que o governo Maduro.

O governo americano está evitando impor sanções econômicas à Venezuela que afetem as exportações de petróleo aos EUA. A Venezuela, que abriga uma das maiores reservas de petróleo, produz um quinto do produzido pela Arábia Saudita, mas a onda de nacionalizações e o atraso nos pagamentos reduziram os investimentos e a manutenção nos campos de petróleo.

"A máquina toda está caindo aos pedaços", disse Russ Dallen, diretor da Caracas Capital Markets. "Isso cria mais incerteza sobre suas condições de pagar uma dívida tão pesada em outubro e novembro."

 

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