EUA: estudantes reforçam protestos contra lei de imigração

Milhares de estudantes abandonaram as aulas nos estados da Califórnia e do Texas e multidões marcharam no centro de Detroit nesta segunda-feira em mais uma demonstração de força dos movimentos de defesa dos imigrantes contra uma lei que complica a situação dos imigrantes ilegais nos EUA. Em Washington, onde políticos discutem a nova legislação, cerca de 100 manifestantes vestiram algemas para protestar contra o projeto, que criminaliza os programa de ajuda a imigrantes. Responsável por redigir o texto da lei, o Comitê Judiciário do Senado rejeitou essa proposta, aprovando uma emenda que protege os grupos de caridade. A comissão decidiu também dobrar o número de guardas de fronteiras do país de 11,3 mil para 22,6 mil nos próximos seis anos. Protestos organizados por grupos de apoio aos imigrantes, incluindo a Igreja Católica, foram realizadas em cidades de todos os Estados Unidos. Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra a legislação, que prevê a criminalização da presença ilegal nos EUA, a imposição de novas penas contra empregadores que contratarem imigrantes ilegais e a construção de cercas em toda a fronteira com o México. Nesta segunda-feira, ao menos 8,5 mil estudantes de Los Angeles participaram de uma marcha contra a nova lei, informou a porta-voz da União de Escolas do Distrito de Los Angeles, Monica Carazo. Alguns professores e diretores participaram da manifestação junto com os alunos, como "medida de segurança", disse Carazo. No sábado, mais de 500 mil pessoas participaram de protestos semelhantes na cidade, e dezenas de milhares marcharam em Phoenix e Milwaukee na última semana. Na prefeitura da cidade, mais de mil estudantes de escolas locais protestaram. "Claro que deve haver anistia. Nós estamos aqui há muitos anos. Nós trabalhamos duro. Nós contribuímos com a economia dos Estados Unidos", disse um estudante de 18 anos. Funcionários da escola de Huntington Park, na região sul de Los Angeles, trancaram os portões do colégio após o início das aulas, mas os estudantes escalaram os muros e se juntaram às marchas. Centenas de adolescentes também abandonaram as aulas em Dallas e se juntaram às manifestações carregando bandeiras do México e cartazes pedindo aos políticos que reconheçam os direitos dos imigrantes. Em Detroit, centenas de manifestantes, alguns também com bandeiras mexicanas, marcharam do sudoeste da cidade, onde muitos latinos vivem, em direção a um prédio federal no centro. "Nós somos imigrantes ilegais se você olhar para o passado, mas moramos aqui e estamos trabalhando e vivendo o sonho americano", manifestou-se Janet Padron, de 22 anos. México continua otimista De olho nas manifestações dos últimos dias, o governo mexicano continua otimista de que a lei que será votada no congresso americano possa se transformar em algo que em última instância beneficie os imigrantes ilegais. O presidente mexicano, Vincent Foz, tem pressionado os americanos por uma lei de imigração que garanta um mínimo de status legal à maioria dos mais de 6 milhões de mexicanos ilegais nos EUA. Fox deverá levantar a questão durante um encontro com o presidente americano, George W. Bush, que acontecerá em Cancún na próxima quinta-feira. "As recentes manifestações em diferentes lugares dos EUA mostram que é eminente a necessidade de um acordo de imigração que vá de encontro com os interesses dos dois países", disse o porta-voz presidencial, Ruben Aguilar.

Agencia Estado,

27 Março 2006 | 20h03

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