EUA evitam comentar revelação de 'NYT' sobre armas químicas

Segundo jornal, governo escondeu fato de quesoldados ficaram feridos por armamentoproibido no Iraque

WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2014 | 02h03

O Departamento de Defesa dos EUA não quis se pronunciar ontem sobre o conteúdo da reportagem apresentada na véspera pelo New York Times, segundo a qual soldados sofreram efeitos de agentes químicos na guerra no Iraque.

Os EUA omitiram a existência de pelo menos seis soldados feridos por armas químicas abandonadas ou escondidas pelo regime de Saddam Hussein durante a guerra de 2003 a 2011, revelou uma investigação do jornal. "Durante esses anos, tropas americanas e iraquianas encontraram repetidamente armas químicas abandonadas e, em várias ocasiões, os soldados ficaram feridos", afirmou a reportagem.

No total, os soldados americanos encontraram cerca de 5 mil armas químicas, entre projéteis e bombas para serem usadas em aviões, afirmaram os testemunhos de 12 pessoas e documentos do governo obtidos pelo jornal. "Os EUA tinham ido à guerra alegando que deveriam acabar com as armas de destruição em massa ativas. No entanto, os soldados americanos foram encontrando e sendo vítimas dos restos de programas abandonados havia muito tempo, construídos com estreita colaboração do Ocidente", afirma o jornal.

Segundo o New York Times, as armas eram sobras de um programa iraquiano lançado nos anos 80 durante a Guerra Iraque-Irã (1980-1988) e fabricadas antes de 1991.

O jornal afirmou ainda ter encontrado 17 oficiais americanos e outros 7 policiais iraquianos expostos a gás mostarda e gás dos nervos após 2003.

O número é ligeiramente superior aos dados oficiais, segundo afirmaram as fontes, embora essa informação seja considerada confidencial.

"Os segredos do governo, afirmaram as vítimas e participantes, impediram que os soldados recebessem uma informação médica adequada e o reconhecimento oficial por seus ferimentos", afirmou o New York Times.

"Essas revelações são motivo de preocupação agora que o Estado Islâmico controla boa parte do território onde foram encontradas essas armas", concluiu a reportagem. / EFE

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