EUA exibem vídeo de ataque em fronteira paquistanesa

Pentágono diz que forças agiram em legítima defesa contra o Taleban; 11 soldados do Paquistão morreram

Efe,

12 de junho de 2008 | 08h05

O comando dos Estados Unidos no Afeganistão distribuiu nesta quinta-feira, 12, um vídeo no qual suas tropas aparecem enfrentando supostos insurgentes na fronteira com o Paquistão, um dia depois de o Exército paquistanês acusar o país de ter matado 11 de seus soldados em um ataque aéreo na zona. O vídeo mostra um tiroteio e um posterior bombardeio de precisão sobre um grupo de sete supostos insurgentes que buscam refúgio no Paquistão após atacar tropas americanas e do Afeganistão na parte afegã da fronteira comum. "Está claro que não há estruturas militares ou postos de controle na área do impacto", diz, durante o vídeo, uma voz em off. Os supostos insurgentes, que ocupam o alto de uma colina, tentam fugir adentrando território paquistanês, mas morrem devido ao impacto de quatro bombas de precisão lançadas próximo ao posto de controle de Gora Prai, situado no distrito tribal paquistanês de Mohmand (noroeste). Nesta quarta-feira, o comando americano havia reconhecido a realização de um bombardeio na fronteira, mas negou que suas tropas de terra tivessem ultrapassado a fronteira. Os EUA afirmam que a operação ocorreu em resposta a ataques de insurgentes. Legítima defesa O ataque ocorreu na fronteira com o Afeganistão. Segundo informações o incidente teria ocorrido quando as forças lideradas pelos Estados Unidos dispararam mísseis, em um confronto contra militantes do Taleban. Segundo um comunicado, a operação tinha sido coordenada pelo Exército paquistanês que, no entanto, tinha denunciado a morte de 11 de seus soldados em um bombardeio em território paquistanês das forças lideradas pelos EUA. O Departamento de Estado americano declarou que as mortes eram lamentáveis e que há necessidade de melhor comunicação entre as tropas que patrulham a fronteira do país com o Afeganistão. Militares e autoridades do Paquistão condenaram o ataque aéreo, chamando-o de "covarde". "Não permitimos que nosso território seja usado (pelo Taleban). Condenamos completamente (este incidente) e vamos levar isso ao Ministério do Exterior", disse o primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani. O governo paquistanês disse que o ataque representou "uma grande violação das fronteiras internacionais", e exigiu que se abra uma investigação sobre o ocorrido. O Paquistão havia deslocado recentemente 50 soldados à zona de Goranpanra, próxima ao posto de controle atacado, e apenas 10 deles retornaram após o ataque, embora o Exército tenha se recusado a fazer comentários sobre o paradeiro dos demais. Islamabad já tinha protestado perante os EUA pelo lançamento de mísseis em seu território do outro lado da fronteira.

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