Jim Huylebroek/The New York Times
Jim Huylebroek/The New York Times

EUA exigem ajuda de empresas aéreas na retirada de civis do Afeganistão

Pentágono convoca companhias privadas e terá 18 jatos comerciais para transportar passageiros de bases no Oriente Médio de volta para casa, desafogando os principais centros militares americanos no Catar, Bahrein e Emirados Árabes

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2021 | 19h23

WASHINGTON - O secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin, ordenou neste domingo, 22, que seis companhias aéreas comerciais forneçam jatos de passageiros para ajudar na operação militar de retirada de civis americanos e aliados afegãos de Cabul. Segundo o Pentágono, 18 aviões farão o transporte dos passageiros de bases americanas no Oriente Médio de volta para casa. 

As companhias envolvidas são United Airlines, com quatro aviões, American Airlines, Atlas Air, Delta Air Lines e Omni Air, com três aeronaves, e Hawaiian Airlines, que cederá dois. De acordo com John Kirby, porta-voz do Pentágono, o desvio dos 18 aviões não comprometerá as operações das empresas. 

O capitão John Perkins, porta-voz do Comando de Transporte Militar, disse neste domingo que os 18 aviões comerciais começarão o serviço de transporte hoje ou amanhã. A ideia, segundo Perkins, é levar os passageiros que estão sobrecarregando as bases americanas no Oriente Médio para a Europa e da Europa para os EUA.

Perkins disse que os militares solicitaram aeronaves de grande porte e com bastante autonomia, capazes de transportar centenas de passageiros. Ele afirmou que as negociações com as empresas começara na semana passada e disse que algumas ofereceram aviões. A demanda, porém, foi maior que o previsto, o que fez o governo ativar a Frota Aérea de Reserva Civil, um dispositivo criado em 1952, no início da Guerra Fria, após o bloqueio de Berlim. 

 “A habilidade do Departamento da Defesa para projetar forças militares está indissociavelmente ligada à indústria comercial, que proporciona uma capacidade de transporte crítica, assim como redes globais para satisfazer as necessidades diárias e de contingência”, dizia o comunicado que anunciou a medida.

Os aviões civis, portanto, não voariam para dentro ou fora de Cabul, onde a segurança vem se deteriorando rapidamente. Em vez disso, pilotos e tripulações de companhias aéreas comerciais americanas ajudariam a transportar milhares de pessoas que estão chegando às bases dos EUA no Bahrein, Catar e nos Emirados Árabes, aliviando a ocupação dos locais.

“Como uma companhia aérea global e transportadora de bandeira dos EUA, assumimos a responsabilidade de responder rapidamente a desafios internacionais como este”, disse Scott Kirby, executivo da United Airlines, que colocará à disposição do Pentágono quatro Boeings 777 com capacidade para transportar 350 passageiros. “É um dever que assumimos com o máximo cuidado e coordenação.”

Em comunicado, a American Airlines disse que estava pronta para colaborar com três aeronaves a partir de hoje. A empresa afirmou que trabalharia para minimizar o impacto da medida para seus clientes. “As imagens do Afeganistão são de partir o coração”, dizia o comunicado. “A companhia está orgulhosa e grata aos nossos pilotos e comissários de bordo, que farão essas viagens para fazer parte desse esforço de salvar vidas.”

Esta é apenas a terceira vez que a Frota Aérea de Reserva Civil é utilizada desde que foi criada. A primeira foi durante a Guerra do Golfo, de agosto de 1990 a maio de 1991. A segunda foi durante a Guerra do Iraque, de fevereiro de 2002 a junho de 2003.

Enquanto os EUA tentam desesperadamente retirar cidadãos e colaboradores de Cabul, a segurança no aeroporto da capital fica cada vez mais precária. O governo britânico, que mantém tropas no aeroporto, disse neste domingo que sete afegãos morreram pisoteados durante uma confusão – incluindo uma criança. “As condições no terreno continuam extremamente desafiadoras”, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido.

Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional do presidente dos EUA, Joe Biden, disse ontem, em entrevista ao State of the Union, programa da CNN, que a ameaça ao aeroporto de Cabul é “real”. “Ela é aguda. É persistente. É uma ameaça na qual nos concentramos com todas as ferramentas de nosso arsenal”, afirmou. / NYT, REUTERS e AP

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