EUA exigem de Arafat medidas duras contra militantes

Enviados dos Estados Unidos exortaram Yasser Arafat a tomar duras medidas contra militantes islâmicos em reuniões e telefonemas horas antes de um ataque suicida à bomba aumentar ainda mais hoje o nervosismo israelense com atentados terroristas.O ministro do Exterior de Israel, Shimon Peres, disse que falou por telefone com Arafat e exigiu que ele prenda 36 supostos líderes terroristas. Outras autoridades israelenses classificaram de enganação a detenção de 151 pessoas feita por Arafat nos últimos dias.Arafat argumentou que está determinado a romper as redes terroristas nos territórios palestinos, mas os ataques militares e cercos israelenses tornam o trabalho impossível. "Eles têm de acalmar para me dar uma chance", disse Arafat à ABC News.A Força Aérea de Israel atacou alvos palestinos na segunda e terça-feiras, mas não houve bombardeios israelense hoje, no que autoridades palestinas afirmaram ter sido uma pausa para permitir que Arafat aja.Uma explosão no começo da manhã na frente de um hotel no centro de Jerusalém mostrou que sua tarefa está longe de ser concluída.O chefe da polícia de Jerusalém, Mickey Levy, disse que o atacante suicida deve ter ficado nervoso e detonou cedo demais os explosivos atados a seu corpo. O atacante morreu e dois transeuntes ficaram levemente feridos.O ministro do Gabinete palestino, Ziad Abu Zayyad, condenou o atentado e disse que tais ações "causam grandes danos aos interesses nacionais palestinos". A Jihad Islâmica assumiu responsabilidade pelo atentado num comunicado enviado por fax à agência de notícias norte-americana The Associated Press."Essa operação é apenas uma introdução e rápida resposta aos crimes do inimigo israelense", afirma o comunicado. O atacante foi identificado como Dawoud Ali Ahmed Abu Sawi, de Artas, nas proximidades de Belém.O porta-voz da embaixada norte-americana Paul Patin afirmou que o enviado de paz Anthony Zinni falou por telefone com Arafat na noite de terça-feira. O líder palestinos encontrou-se rapidamente depois com o cônsul dos EUA Ronald Schlichter e Aaron Miller, outro membro da delegação de Zinni, disse Patin. "Os americanos nos pediram para tomarmos medidas para garantir o cessar-fogo e a calma", afirmou o ministro palestino Nabil Shaath. Mas ele alegou que os ataques de Israel contra os palestinos dificultaram a situação. "Estamos despendendo 100% de esforços para implementar nossos compromissos, e os israelenses estão despendendo 100% de esforços para derrubar nossos esforços", disse. "Fico pensando como eles podem pedir para os policiais palestinos que estão sujeitos a ataques israelenses durante o dia para prender militantes palestinos durante a noite".Peres afirmou que Arafat fez a mesma reclamação a ele. "Yasser Arafat me ligou e disse que quer controlar a situação mas não o estamos deixando", disse Peres. "Eu falei a ele: "Escute, tudo depende de você, e apenas de você. Você recebeu uma lista de 36 pessoas que nas nossas estimativas são a cabeça do terrorismo, e recomendo que você os coloque na cadeia".Oficiais de segurança palestinos afirmaram já ter prendido 151 supostos militantes, incluindo membros do Hamas, Jihad Islâmica e uma facção radical da OLP, a Frente Popular para a Libertação da Palestina, que assassinou um ministro israelense em outubro em vingança contra a morte de seu líder por Israel.

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