EUA exigirão de Israel inclusão de Jerusalém Oriental em nova moratória

Fonte de Washington revela posição americana; Netanyahu tenta apoio em seu governo para o acordo

estadão.com.br

18 de novembro de 2010 | 11h05

JERUSALÉM - Os EUA exigirão que Israel paralise a construção de novas casas em assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, revela nesta quinta-feira, 18, o jornal israelense Haaretz. A exigência é parte de um acordo proposto pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que prevê incentivos para Israel em troca da interrupção as obras, segundo uma fonte de Washington.

 

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"Se o acordo sobre a moratória vingar, continuaremos a pressionar pela paralisação das obras durante os 90 dias previstos, mesmo com Netanyahu negociando com seu governo", disse a fonte.

 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tenta ganhar apoio em seu governo para aderir ao acordo. Partidos conservadores se opõem ao pacto e defendem as colônias em Jerusalém Oriental. O partido ultraortodoxo, porém, será a força política que decidirá sobre o futuro do acordo.

 

A fonte americana disse ainda que o presidente dos EUA, Barack Obama, disse ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, em abril, que seu país espera que "ambos os lados evitem atos que minem a confiança" das negociações, inclusive em Jerusalém Oriental". Na mensagem, Obama disse que responderia "com ações e ajustes na política" relacionada a qualquer um dos lados.

 

"Nossa posição permanecerá a mesma se as negociações resultarem em mais uma moratória de 90 dias e os israelenses sabem disso", disse a fonte, referindo-se ao endurecimento da postura americana caso mais colônias sejam construídas em Jerusalém Oriental.

 

A parte oriental de Jerusalém é um dos pontos mais sensíveis das negociações entre Israel e a ANP. Os palestinos reclamam a área como capital de seu futuro Estado, enquanto os israelenses não querem abrir mão da cidade sagrada.

 

A moratória de dez meses decretada por Israel - que durou de dezembro de 2009 a setembro de 2010 - não incluía Jerusalém. O congelamento expirou no dia 26 de setembro e levou o diálogo de paz direto retomado com os palestinos à estagnação.

 

Os ministros de Netanyahu atrasam propositalmente a votação de um acordo com os EUA justamente para pressionar por uma posição mais clara de Washington em relação aos assentamentos em Jerusalém.

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