EUA expandirão venda de armas à Riad para US$ 60 bi

A administração Obama planeja incluir helicópteros de ataque em um pacote expandido de armas para a Arábia Saudita, inchando o tamanho do acordo proposto para cerca de US$ 60 bilhões em dez anos, disseram funcionários familiarizados com o assunto. O acordo, ainda a ser finalizado, seria a maior venda externa de armamentos já fechada pelos Estados Unidos, informa o Wall Street Journal.

AE, Agência Estado

13 de agosto de 2010 | 18h43

O acordo, negociado secretamente por causa das sensibilidades do Oriente Médio, é parte de uma estratégia defendida pela administração do ex-presidente George W. Bush e expandida pelo presidente Barack Obama, a qual tem como objetivo fortalecer os militares dos países árabes aliados como um contrapeso ao Irã.

A Arábia Saudita é a sede espiritual do islamismo sunita e rival há longo tempo do Irã, cuja maioria da população professa um islamismo da vertente xiita. O tamanho e a finalidade do acordo saudita levaram a várias preocupações em Israel, como a de que Washington estivesse arriscando um rebaixamento da vantagem militar israelense.

Funcionários disseram que alguns sistemas de armas, aos quais Israel se opôs com veemência que fossem vendidos aos sauditas, não serão incluídos no pacote, endereçando algumas das maiores preocupações do Estado de Israel. Israel considera o Irã seu principal inimigo, mas também vê a Arábia Saudita como uma possível ameaça futura ao Estado judeu. Funcionários da Embaixada da Arábia e de Israel em Washington não comentaram a venda de helicópteros.

Detalhes

Novos detalhes do acordo incluem planos para vender cerca de 70 helicópteros UH-60 Black Hawk e até 60 helicópteros de ataque Longbow Apache à Arábia Saudita, no valor de aproximadamente US$ 30 bilhões. Esse valor se somaria aos US$ 30 bilhões da primeira parte do acordo, que prevê a venda de 84 caças de combate F-15, da Boeing, e a reforma de outros aviões da Real Força Aérea do país.

A Boeing fabrica o Apache, enquanto o Black Hawk é produzido pela Sikorsky, unidade da United Technologies. O pacote de armamentos também incluirá simuladores de voo, peças de reposição e assistência a longo prazo para as aeronaves militares, informaram as fontes.

Espera-se que a administração Obama notifique o Congresso dos EUA no próximo mês sobre o acordo. Congressistas que têm laços com Israel poderão suspender parte da venda de armas ou buscar garantias de que a vantagem militar israelense não será comprometida.

O Pentágono não quis comentar detalhes do pacote, que é informação classificada. Funcionários disseram que certos armamentos aos quais Israel se opõe não serão incluídos na venda dos helicópteros Apache.

O acordo com a Arábia poderá aumentar a pressão sobre Israel para que o governo israelense se comprometa a comprar o caça F-35, ainda em construção pela Lockheed Martin e que deverá ser lançado em 2015, na mesma época em que os sauditas começariam a receber os F-15. As informações são da Dow Jones.

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