Mandel Ngan/Pool Photo via AP
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EUA falam em 'ato de guerra' do Irã contra a Arábia Saudita

Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, se reuniu com o príncipe saudita Mohammed Bin Salman

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2019 | 18h38
Atualizado 19 de setembro de 2019 | 12h20

WASHINGTON - Em visita a Riad, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, acusou o Irã nesta quarta-feira, 18, de ter realizado um “ato de guerra” com ataques aéreos a instalações de petróleo na Arábia Saudita no fim de semana e disse que os Estados Unidos estão trabalhando para construir uma coalizão para impedir novos ataques.

As palavras de Pompeo foram as mais fortes até agora de uma autoridade americana em relação ao ataque de sábado na Arábia Saudita, que prejudicou gravemente a produção do principal exportador de petróleo do mundo e levantou temores de que as tensões entre o Irã e EUA pudessem se transformar em uma nova guerra.

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Na Arábia Saudita, oficiais militares exibiram o que descreveram como evidência física de que o Irã havia sido responsável pelo ataque, mas não especificaram como pretendiam responder ou o que esperavam de seus aliados americanos.

Os rebeldes houthis no Iêmen, que lutam contra uma coalizão liderada pela Arábia Saudita há mais de quatro anos, disseram que foram responsáveis pelo ataque. O Irã, um forte aliado dos houthis, negou qualquer responsabilidade. Autoridades americanas e sauditas disseram que os houthis não tinham a sofisticação nem as armas para executá-lo.

EUA dão apoio a príncipe saudita

“Foi um ataque iraniano”, disse Pompeo. “Fomos abençoados por não haver americanos mortos nessa ação, mas sempre que há um ato de guerra dessa natureza, há um risco de que isso possa acontecer.”

Pompeo conversou com repórteres em Jeddah, na Arábia Saudita, onde se encontrou com o príncipe Mohammed bin Salman, o líder de fato do país, para discutir as informações sobre os ataques e ações. Pompeo também deve visitar os Emirados Árabes Unidos nessa viagem de emergência antes de retornar a Washington.

Ele negou que os houthis tenham atacado as instalações de petróleo. “A comunidade de inteligência tem grande confiança de que não eram armas que estariam na posse dos houthis", disse Pompeo. “Pelo quanto que sabemos, o equipamento usado é desconhecido no arsenal dos houthis.”

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Antes, em uma entrevista coletiva em Riad, capital da Arábia Saudita, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita exibiu o que descreveu como detritos do local do ataque e vídeos que pareciam ser de câmeras de vigilância no local. “Esse ataque foi lançado do norte e foi indiscutivelmente patrocinado pelo Irã”, disse o coronel Turki al-Maliki, porta-voz do ministério.

O coronel mostrou os destroços de três mísseis que não atingiram seus alvos e foram recuperados e inspecionados, além de outros quatro que atingiram a usina de Khurais.

Ele afirmou que 18 drones atacaram Abqaiq, a maior instalação de petróleo da Arábia Saudita. Segundo Maliki, depois de analisar os destroços, é possível afirmar que são de tipo Delta Wing iraniano e que todos os componentes analisados são iranianos.

Ele destacou que o alcance dos drones é de 1,2 mil km e dos mísseis é de 700 km, por isso considerou que eles “nunca poderiam ser lançados do Iêmen”, de territórios que estão sob o controle dos rebeldes xiitas.

Trump anuncia novas sanções ao Irã

Pela manhã, Trump determinou nesta quarta-feira, 18, uma nova rodada de sanções contra o Irã.  Eu acabo de instruir o Secretário do Tesouro a aumentar substancialmente as sanções contra o Irã", escreveu Trump, por meio de sua conta no Twitter.

O jornal New York Times analisou as fotos de satélite fornecidas e as comparou com fontes independentes, quando possível, para determinar o que elas mostram e o que ainda está incerto.

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Analistas militares que estudam a guerra do Iêmen dizem que o alcance, a escala e a complexidade das ações excedem em muito a capacidade demonstrada pelos rebeldes houthis anteriormente, que reivindicaram a autoria dos ataques.

As fotos de satélite mostram o que os funcionários do governo americano afirmam ser ao menos 17 pontos de impacto nas duas estruturas de energia saudita, ainda que nem todos os alvos tenham sido atingidos. Em um dos locais, Abqaiq, as imagens ilustram danos a tanques de armazenamento e trem de processamento.

Houthis prometem atacar Emirados Árabes Unidos

Os rebeldes houthis do Iêmen afirmaram hoje que identificaram alguns locais nos Emirados Árabes como possíveis alvos, em um esforço para ressaltar seu poderio militar após um ataque que afirmam ter realizado no fim de semana contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita. 

“Ao regime dos Emirados, dizemos que apenas uma operação (nossa) custaria caro a vocês”, disse Yahya Saria, porta-voz do grupo em discurso na TV. Segundo ele, os houthis têm novos drones equipados com “motores normais e a jato”, que conseguem alcançar alvos em grande parte da Arábia Saudita.

Os Emirados são aliados da coalizão liderada pelos sauditas na guerra civil do Iêmen. Eles lutam contra os houthis para restaurar o governo do presidente Abd Rabbuh Mansur al-Hadi, deposto em 2014. Os houthis são um grupo xiita, apoiado pelo Irã, que controla boa parte do território iemenita. Eles acusam o governo sunita de Hadi de reprimir com violência grupos minoritários no país. / NYT, REUTERS, AFP e EFE

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