EUA falham na abordagem à Coréia do Norte, diz ex-negociador

A política dos Estados Unidos para aCoréia do Norte fracassou, apesar do fechamento do reatornuclear de Yongbyon, disse na segunda-feira um ex-negociadornorte-americano e autor de um novo livro que critica adiplomacia de Washington. Charles Pritchard, um dos mentores da política para aCoréia do Norte durante o governo Clinton e nos primeiros doisanos da presidência de George W. Bush, disse que a desativaçãodo reator, neste mês, foi "um bom passo". "(Mas é) apenas um pequeno passo que reverte só uma pequenaparte do que ocorreu nos últimos cinco anos", disse Pritchardem entrevista, referindo-se a um período no qual Pyongyangpassou de um ou dois reatores nucleares para talvez até dezarmas atômicas. O ex-diplomata, agora presidente do Instituto Econômico daCoréia, disse que seu novo livro, "Diplomacia Fracassada",mostra "como a diplomacia nos últimos cinco anos falhou emmanter os EUA seguros do desenvolvimento de material nuclear emarmas nucleares e do potencial de proliferação para fora daCoréia do Norte". Pritchard se demitiu em 2003 do cargo de enviado dos EUApara negociações com a Coréia do Norte, depois de sermarginalizado por funcionários do governo Bush que oconsideravam um resquício do governo Clinton e viam comdesconfiança seu apoio a negociações diretas com Pyongyang--algo que Bush antes abominava, mas que recentemente passou aaceitar. Na época da demissão, Pritchard era um dos poucosfuncionários dos EUA com experiência em lidar com o regimenorte-coreano. Inspetores da ONU confirmaram no fim de semana que a Coréiado Norte fechou o reator de Yongbyon, que remontava à erasoviética e que gera plutônio para armas nucleares do país. Adesativação, segundo a ONU, foi mais ou menos concomitante àchegada da primeira carga de 6.200 toneladas de combustívelpesado de Seul, como previsto em um acordo multilateral de 13de fevereiro, que prevê ajuda à Coréia do Norte em troca dodesarmamento. Embora tenha sido o passo mais importante para conterPyongyang em vários anos, o fechamento de Yongbyon basicamenteapenas retoma o congelamento que vigorou de 1994 a 2002. Ao suspender as operações em Yongbyon, a Coréia do Nortedemonstra disposição em "vender" o fim do seu programa nuclear,mas, segundo Pitchard, provavelmente só depois do fim domandato de Bush é que se saberá se os norte-coreanos estãodispostos a abrir mão de suas bombas atômicas. Ele afirmou que Pyongyang fechou seu reator agora porqueconseguiu uma "dissuasão estratégica" --armas nuclearessuficientes para evitar um ataque dos EUA-- e porque suasinstalações estão começando a se deteriorar. Pritchard disse à Reuters que Bush, conhecido por suaantipatia visceral em relação ao líder norte-coreano, KimJong-il, cometeu dois grandes erros em sua abordagem à Coréia do Norte. O primeiro foi permitir uma diplomacia de via dupla, pelaqual os radicais do governo que preferiam uma mudança de regimetrabalharam ativamente para sabotar os esforços que poderiamatrair o país para uma negociação diplomática da questãonuclear. O segundo, de acordo com o diplomata, seria não resolversuficientemente as diferenças dos EUA com a Coréia do Sul, umaliado importante e que estava mais aberto à abordagemdiplomática.

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